Última hora

Última hora

Yanoukovitch quer cooperação com Nato e Rússia

Em leitura:

Yanoukovitch quer cooperação com Nato e Rússia

Tamanho do texto Aa Aa

Viktor Yanoukovich é um dos candidatos às eleições presidenciais na Ucrânia. Ele que já foi Primeiro-Ministro por duas vezes e lidera o Partido das Regiões.

A acreditar nas sondagens, é um dos favoritos, à partida para a campanha eleitoral, que começa a 19 de Outubro. O Instituto SOCIS atribui-lhe uma quota de intenções de voto de 28 por cento. Viktor Yanoukovich deu uma entrevista à euronews, na histórica cidade de Yalta, onde esteve como convidado do forum internacional, sobre “Estratégia Europeia”. Entre os convidados, estava também a actual primeira-ministra, Ioulia Timoshenko, outra favorita, nas corrida eleitoral.

euronews – Viktor Yanoukovitch, de acordo com as sondagens, o senhor e Ioulia Timoshenko vão disputar a segunda volta das presidenciais. Quais são os pontos mais populares do seu programa, os que podem cativar os eleitores?

VY – Naturalmente, de forma muito simples, posso dizer que quero concretizar um programa de reformas estruturais que preparei, em 2007. Agora, espero realizar este programa – modernizado e adaptado â crise actual – de forma coerente e responsável. Com uma atenção particular ao sector energético que tem necessidade de tecnologias económicas. O sistema de protecção social da população terá também um lugar apropriado, no meu programa. O sistema de impostos deve também ser modernizado e liberalizado. A Ucrânia não fez ainda uma reforma fiscal. euronews – Nestes últimos anos a Ucrânia, voltou à guerra de “todos contra todos”. Se ganhar as eleições, como pensa obter a estabilidade na sociedade e na vida política? VY – Claro que é preciso restabelecer a ordem e a legalidade no nosso país. Cinco anos de arbitrariedades, na Ucrânia, fizeram com que o aparelho de Estado esteja hoje, praticamente destruído. É preciso começar a restabelecer a ordem, fazer uma reforma do sistema judiciário, para poder lutar contra a corrupção. Os serviços responsáveis pela ordem pública devem defender os direitos e liberdades dos cidadãos. A atitude do poder actual é inaceitável, porque este poder – interna e externamente – não promove o respeito pelos pontos de vista dos cidadãos ucranianos. É por isso que hoje, os níveis de confiança dos cidadãos estão muito baixos. O do presidente está nos 15 por cento e o da primeira-ministra nos 20. euronews – Se for eleito, quais serão as grandes linhas da política externa? VY – A política externa da Ucrânia será equilibrada. Hoje, a Ucrânia está pronta a participar activamente, a adoptar uma posição determinada, na elaboração do sistema europeu de defesa e segurança, colectivas. A Ucrânia encontrará o seu lugar em todos estes desafios, enquanto estado neutro. Actualmente, em colaboração com a Nato, participamos numa política ponderada da Aliança Atlântica. A Ucrânia não se vai opor, mas pelo contrário, terá uma postura de apoio ao sistema de defesa colectiva, em que vão participar a União Europeia, a Nato e a Rússia. euronews – O senhor disse recentemente, que as relações da Ucrânia coma Rússia, no domínio do gás, devem ser construídas, segundo as regras do mercado, entre parceiros iguais. Está aqui a solução para a prevenção de conflitos? VY – As relações no domínio do gás foram sempre objecto de negociações intensas, entre a Ucrânia e a Rússia. Esta base contractual foi criada por vários governos, dos dois paises, assim como, por diversos presidentes dos dois lados. Mas foi destruída, de facto, durante os últimos cinco anos. Se me pergunta como vou relançar estas relações, direi que devemos levantar, não só esta questão, mas todas as questões problemáticas e sensíveis que herdarmos destes cinco anos de relações russo-ucranianas. Considerando todas estas questões, estou persuadido que encontraremos soluções mutuamente aceitáveis, em todos os domínios, incluindo o gás. euronews – Uma das condições de crédito, impostas pelo FMI à Ucrânia era o aumento do preço do gás para a população e para a indústria. Como sabe, a tentativa do governo encontrou a resistência dos sindicatos que bloquearam o processo. É possível, hoje, reformar a economia? VY – O poder actual devia fazer uma aproximação, um a um, para resolver o problema. Isso é o contrário dos princípios da concepção de uma economia eficaz. Hoje, mais que nunca, nós precisamos de uma aproximação sistémica, pragmática e profissional. Temos necessidade disso. Para resolver os problemas, precisamos que todos os ramos do poder estejam unidos. A Ucrânia, hoje, está a perder, porque, na situação política actual, não existe essa unidade, não se pode agir eficazmente, no domínio económico. Vimos os actos disparatados do poder. O presidente atira num sentido, a primeira-ministra no outro. No Parlamento, não existe uma maioria eficaz e estável que possa apoiar as decisões do executivo. Esta crise terá um fim, depois das eleições presidenciais.