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Relatório Goldstone: EUA ameaçam vetar recomendações

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Relatório Goldstone: EUA ameaçam vetar recomendações

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27 de Dezembro de 2008: a força aérea israelita ataca a Faixa de Gaza. Foram cinco dias de intensos bombardeamentos que tiveram como objectivo preparar o terreno para a entrada do Tsahal em solo palestiniano com o objectivo, segundo Telavive, de pôr termo aos tiros de ‘rocket’ do Hamas contra Israel.
 
A ofensiva israelita destruiu hospitais, escolas, residências, agências das Nações Unidas. Israel chegou mesmo a utilizar bombas de fósforo.
 
O Hamas, por seu turno, foi acusado de utilizar civis como escudos humanos.
 
Na altura, a comunidade internacional condenou a acção do governo hebraico e pediu o fim dos combates. O cessar-fogo foi declarado a 18 de Janeiro de 2009.
 
O balanço da ofensiva é de 1400 mortos – sendo a grande maioria civis palestinianos -, 5000 feridos e danos materiais estimados em 670 milhões de euros.
 
O Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas lançou um inquérito liderado pelo juiz sul-africano Richard Goldstone.
 
Conclusão: Várias acções de Israel são equivalentes a crimes de guerra e talvez a crimes contra a humanidade. O Hamas também não é poupado pelo relatório, cujas recomendações são claras como explica Bill Van Esveld, da Human Rights Watch.
 
“É recomendado que Israel e o Hamas façam inquéritos independentes às alegações de crimes de guerra durante a guerra de Gaza e o relatório Goldstone recomendou que se não o fizessem no prazo de seis meses então o caso devia passar do Conselho de Segurança para o Tribunal Penal Internacional.”
 
Mas à medida que o processo avança, a situação complica-se. Os Estados Unidos, fiéis aliados de Israel, não querem sequer que o relatório chegue ao Conselho de Segurança da ONU e já fizeram saber que poderão vetar uma eventual investigação da justiça internacional contra Israel.
 
“Continuamos a ter sérias dúvidas sobre o relatório que consideramos ser desequilibrado para com Israel”, explicava o embaixador-adjunto norte-americano nas Nações Unidas, Alejandro Wolff.
 
A embaixadora israelita na ONU, Gabriela Shalev defende que “nós somos visados por acusações terríveis de crimes de guerra que negamos completamente porque temos estado a investigar e a analisar vários acontecimentos. Ainda há 23 dossiês a serem investigados.”
 
Assim que foi publicado, o relatório Goldstone foi acusado por Israel de ser parcial. Apesar de tudo, o governo de Telavive adoptou medidas para proteger os seus militares contra eventuais investigações judiciais.