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Os desafios da segunda volta eleitoral no Afeganistão

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Os desafios da segunda volta eleitoral no Afeganistão

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O desafio é enorme: 17 dias para organizar uma segunda volta credível no Afeganistão, no dia 7 de Novembro, entre Hamid Karzai o adversário Abdullah Abduallah.

Credível ou legítima, nomeadamente para o povo afegão que se absteve ostensivamente na primeira volta, no dia 20 de Agosto. Mais de 61% dos eleitores não foram às urnas, segundo a Comissão Eleitoral Independente. Para lutar contra as fraudes e reforçar a transparência, a ONU anunciou a substituição de mais de metade dos observadores afegãos, todos culpados ou cúmplices de irregularidades. Ban Ki-Moon, o secretário-Geral das Nações Unidas recusou reduzir o número de assembleias eleitorais para que todos os afegãos possam continuar a votar. Duvida-se é que os afegãos tenham muita vontade em desafiar de novo os terroristas para irem votar. Estão cansados de fraudes, corrupção e a insegurança está a aumentar, não só para eles mas também para os soldados do ISAF, com baixas cada vez maiores. Desde as eleições, que a violência dos talibãs se intensificou. Só na capital, Cabul, houve cinco ataques suicídas desde o dia 20 de Agosto. Daí a dificuldade das forças afegãs e internacionais em garantirem a segurança da população. A situação no terreno preocupa e passa pela nova estratégia da Casa Branca para o Afeganistão. Barack Obama é pressionado pelos republicanos e pela maioria dos generais, incluindo McChrystal, comandante das forças americanas e da NATO no Afeganistão, para enviar 40 mil homens suplementares. O presidente americano vacila e espera o fim do processo eleitoral antes de tomar uma decisão difícil para o partido democrata e para os americanos em geral. O reforço do contingente, que pode vir a ser menos importante, segundo alguns responsáveis americanos, deve garantir a protecção dos civis, formar as forças afegãs e combater aos talibãs. Uma vontade de “afeganizar” o conflito como explica o analista Greg Austin, contactado em Bruxelas pela Euronews: “Em princípio, a ‘Afeganização’ é a única via a seguir. As pessoas do Afeganistão têm de ser responsáveis para resolverem esta guerra e trazer a paz ao país. Podem contar com o apoio da comunidade internacional… mas temos de ter cuidado com o termo ‘Afeganização’ …na verdade abrange uma área não específica da política”. O novo secretário-Geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen reúne-se na sexta-feira, em Bratislava, com os ministros da Defesa da Aliança Atlântica. A NATO espera a decisão americana para decidir também sobre uma eventual participação no reforço do contingente. Mas, os aliados europeus estão a enviar sinais contraditórios, as posições divergem. Alguns Estados como a Itália e o Reino Unido enviaram ou vão enviar 500 soldados suplementares enquanto a França não vai enviar “nem mais um homem”.