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Karadzic: herói resistente ou criminoso fugitivo

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Karadzic: herói resistente ou criminoso fugitivo

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As vítimas de Radovan Karadzic mostram-se desiludidas com a actuação da justiça internacional.

Na povoação de Srebrenica, os familiares dos mais de 7 mil muçulmanos mortos às mãos das tropas sérvias da Bósnia não escondem a revolta face à ausência de Karadzic da barra dos tribunais. “Como é possível que um acusado possa recusar-se a enfrentar a justiça. Quem é que ele se julga? Deviam obrigá-lo a sentar-se no banco dos réus. Se houvesse justiça era isso que acontecia”. “Nós, as mães das vítimas de Srebrenica, não pedimos muito. Não podemos recuperar o que perdemos. Queríamos apenas ser nós a julgá-lo, só as mães sabem todo o mal que provocou”. Criminoso para uns, um herói para os nacionalistas sérvios. No café de Belgrado frequentado por Karadzic durante os 11 anos de clandestinidade, os clientes celebram a resistência do arguido. “Ele não tem qualquer obrigação de comparecer frente ao tribunal de Haia, num processo injusto contra os sérvios e a igreja cristã ortodoxa”. Nas ruas da capital um residente defende a mesma posição: “Tenho a certeza de que este processo não será justo. Se quisessem cumprir a lei teriam apresentado mais cedo as acusações e teriam dado mais tempo a Karadzic para preparar a sua defesa. Nenhum sérvio acusado no TPI teve até hoje direito a um processo justo”. Opiniões contrárias que prometem marcar um julgamento ensombrado por manipulações políticas. Karadzic alega ter sido, “um resistente à criação de um estado islâmico no coração da Europa”.