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Radovan Karadzic, seguidor de Milosevic

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Radovan Karadzic, seguidor de Milosevic

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Basta uma barba, um chapéu e óculos para criar uma nova identidade. Foi assim que Radovan Karadzic compareceu numa festa na Sérvia, em Junho de 2008. Durante onze anos, o antigo chefe político dos sérvios da Bósnia escondeu-se atrás do nome falso de Dragan Dabic.

Psiquiatra e poeta em part-time, Karadzic exerceu medicina alternativa durante os anos em que esteve a monte. Acusado de genocídio em 1995, tal como o general Ratko Mladic, ainda em fuga, Karadzic seguiu os passos do seu mentor, Slobodan Milosevic. Depois da detenção na Sérvia, em Julho de 2008, foi transferido para Haia. Na primeira audiência, dez dias depois, assumiu a sua própria defesa. Karadzic recusou declarar-se culpado ou inocente, na segunda vez em que compareceu no TPIY. A instituição seguiu os trâmites e acusou-o de vários crimes. Karadzic declarou-se inocente. Com a assistência do advogado norte-americano Peter Robinson, segue agora uma estratégia parecida à de Milosevic, ao transformar o seu processo num processo político. O ex-chefe militar está acomodado numa cela onde dipõe de um computador e telefone para preparar a defesa. Ao recusar-se a comparecer na abertura do julgamento, deixa o tribunal num impasse e marca uma posição. O TPIY vai tentar evitar a todo o custo a repetição do caso Milsosevic. O antigo presidente jugoslavo conseguiu arrastar o seu processo e morreu antes de ter sido julgado.