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Irão-Turquia: convergência aparente

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Irão-Turquia: convergência aparente

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Desde 2008 e do convite do presidente iraniano Ahmadinejad pelo homólogo turco Adbullah Gul, a Turquia não esconde a ambição de mediar o dossiê nuclear

Já este ano, em Março, Gul visitou o Irão para incentivar a cooperação económica entre Teerão e Ankara Alguns meses depois, quando havia manifestações seguidas a denunciar a legitimidade das eleições e a comunidade internacional se insurgia, Gul e Erdogan eram os primeiros a felicitar Ahmadinejad pela reeleição. Esta aproximação foi seguida, nomeadamente pelo Guardian, jornal que Erdogan esciolheu para denunciar a injustiça com que, na sua opinião, o Irão está a ser tratado por causa do programa nuclear. Trata Ahmadinejad como um amigo com quem tem muito boas relações. Há interesses comuns. O sector do gás é crucial A Turquia precisa das reservas petrolíferas do Irão e da Ásia Central Mas o território turco também é um indispensável elo entre essas reservas e o continente europeu. Os turcos pretendem explorar isso para acelerar a adesão à União Europeia. Pelo seu lado, Teerão procura desesperadamente ser o principal fornecedor de gás na Europa. As trocas comerciais atingem os seis mil milhões de euros por ano, mas ambos os países esperam duplicar este montante em dois anos. Teerão e Ankara estão de acordo quanto à questão curda e, por acréscimo, o dossiê iraquiano. Os dois países cooperam cada vez mais para conter os separatistas. Nem um nem outro querem ver emergir um Curdistão independente ou uma divisão do Iraque. Mas os aliados americanos dos turcos investem bastante no separatismo na região. Ainda há pouco tempo, Teerão organizava ataques xenófobos na Turquia para arruinar a adesão à União Europeia e a Turquia destabilizava o Azerbaijão com o apoio dos Estados Unidos. Mas recentemente proibiu Israel de fazer das manobras aéreas no espaço turco, em represália ao relatório sobre Gaza. Teerão rejubilou.