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Aproximação estratégica da Rússia à América Latina

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Aproximação estratégica da Rússia à América Latina

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A declaração de associação estratégica que assinaram este quinta-feira a Rússia e o Equador reforça as relações entre Moscovo e a América Latina.

Nesta primeira visita de um dirigente equatoriano à Rússia, Rafael Correa espera conseguir o apoio financeiro do Kremlin. O presidente Medvedev mostrou-se optimista: “Defendemos um mundo multipolar no qual os interesses de todos os países sejam tidos em conta. Durante estes últimos anos, as relações entre a Rússia e os Estados da América Latina fortaleceram-se e o Equador é um dos sócios estratégicos mais importantes da região” Rafael Correa segue, passo a passo, a política de Hugo Chavez. O presidente venezuelano fez, há um mês e meio, o mesmo caminho para o Kremlin para assinar vários acordos bilaterais. Mas a generosidade do Kremlin não é gratuita. Não são apenas os apetecíveis mercados da América Latina que estão em jogo, mas também aliados estratégicos para a diplomacia no Cáucaso, nomeadamente. Como Chavez, em Setembro, Correa também pretende reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Acásia, as duas repúblicas separatistas georgianas. Esta aproximação inclui a cooperação militar da Rússia com os dois novos aliados. No mês passado, Moscovo vendeu helicópteros de combate e de transporte a Chavez, assim como blindados T-72 e T-90. Correa também vai receber dois helicópteros e diferentes sistemas de defesa no valor de 136 milhões de euros. “Os Estados Unidos exercem uma influência cada vez mais forte nos países da ex- União Soviética, sobretudo na Geórgia, portanto é totalmente normal que a Rússia faça o mesmo na América Latina”, explica um analista. Moscovo investe cada vez mais dinheiro nos recursos energéticos da Venezuela e o projecto hidroelétrico de Toachi-Pilatón, no Equador interessa muito neste momento. Mas o Kremlin não é o único que tenta seduzir Correia e Chávez. O Irão e a China multiplicaram os investimentos nos enormes recursos energéticos sul-americanos.