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Ex-presidente Chirac vai responder em tribunal

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Ex-presidente Chirac vai responder em tribunal

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O presidente preferido dos franceses vai responder em tribunal como qualquer cidadão. E um mal-estar geral misturado com o sentimento de justiça instalou-se em França.

Dois anos depois de deixar o Eliseu, a popularidade de Chirac está no auge, mas, apesar de todo o carisma, pode mesmo vir a enfrentar o colectivo de juízes, como decidiu a magistrada Xaviere Simeoni. Em Maio de 2007, Jacques Chirac, na ribalta política há mais de 40 anos – 12 dos quais como chefe de Estado, deu lugar ao sucessor. Com o fim da presidência, perdeu a imunidade que o protegeu de muitos processos. Nada chocante, como explica o constitucionalista Guy Carcassonne: “Esta é a prova definitiva de que, no sistema constitucional, tal como existe hoje, os presidentes da República beneficiam de imunidade, mas não de impunidade. Se fornecessário prosseguir e bem podemos prosseguir normalmente por lei, uma vez que deixar o Eliseu “ Ontem, o Ministério Público tinha solicitado o arquivamento do processo dos empregos fictícios na Câmara de Paris. Mas a juíza achou indeferiu. Vai explicar-se perante a justiça sobre a acusação de desvio de fundos públicos e de abuso de confiança como autarca, entre 1977 e 1995. O ex-presidente vai ter justificar a criação de 35 empregos (alegadamente fantasmas) como responsável de missão da Câmara de Paris. Entre 1983 e 1995, dezenas de pessoas tiveram salários na câmara. A Justiça suspeita que os ditos funcionários estariam, na realidade, ligados ao partido RPR, de Chirac, que actual UMP. O ex-primeiro ministro Alain Juppé, ligado a Chirac, já tinha sido condenado, em 2004, a 14 meses de prisão, que puderam ser cumpridos em liberdade condicional, por causa dos mesmos empregos. Em Novembro de 2007, vários meses depois de deixar o Eliseu, Chirac foi indiciado no caso. De momento em Marrocos, está sereno e determinado a provar que os empregos não eram fictícios, dizem os amigos. Pretende continuar a dediicar-se à fundação que criou para o desenvolvimento sustentável e diálogo de culturas.