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Coração artificial, em 2011

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Coração artificial, em 2011

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Há um ano e depois de 15 de trabalho, o cardio-cirurgião francês, Alain Carpentier anunciou a construção do protótipo de uma prótese de coração, que tem uma batida semelhante ao pulsor da vida.

Em finais de Outubro, uma empresa francesa inaugurou uma sala esterilizada, que vai permitir a produção da prótese cardíaca, que será testada em meados de 2011. Esta espécie de coração artificial pode aumentar as chances de sobrevivência das pessoas com patologias cardíacas. O professor Carpentier sublinha a importância da transição do estado de pesquisa, para a produção: “Na vida de um investigador há dois momentos difíceis. O primeiro, é conceber e desenvolver o projecto, o protótipo, e demonstrar que tem potencial, na sua função, de modo a servir o homem. Este estágio acabou hoje, e o novo estágio é a passagem para um nova equipa, uma equipa que o vai construir de forma industrial. Temos a responsabilidade de construir um produto,que seja capaz de ser implantado no corpo humano”. Há duas fases na função cardíaca. A diástole, quando os ventrículos se enchem de sangue, e a sistole, quando o sangue purificado é ejectado. Por esta razão, para conseguir uma função idêntica à do coração, a prótese tem dois ventrículos, com duas bombas em vez de uma, assim como um sistema de sensores em miniatura, que reage à actividade física e ao aumento ou diminuição dos valores da pressão sanguínea. A prótese também incorpora novos compostos bio-tecnológicos, feitos a partir de tecido animal, tratado quimicamente, para reduzir as possibilidade de formaçao de coágulos sanguíneos. Um problema que foi eliminado, bem cedo, com algumas alternativas. Mas esta prótese tem outras rupturas: de facto, o coração mecânico não pretende substituir inteiramente o coração doente, mas antes, assistir e fazer a ponte, para o transplante. Uma outra experiência de um coração inteiramente artificial não teve sucesso, porque não batia nem pulsava de acordo com as necessidades físicas do anfitrião. As doenças do coração são um problema extremamente grave, no mundo ocidental. De acordo com Marcelo Conviti, o lider da empresa que vai fabicrar os corações – 100 mil pacientes precissam de um coração novo. E apenas cinco mil deles têm a sorte de conseguir um transplante. Conviti espera que o coração artificial possa, no futuro, salvar alguns deles: “Nós esperamos salvar todos os 95 mil, mas em teoria, não podemos dizer isto. Depende dos indicadores, depende da nossa capacidade de treinar correctamente as equipas clínicas e do comportamento da máquina. Mas, falando teoricamente, esse é o nosso objectivo. Estamos aqui para tentar salvá-los a todos”. Os colaboradores deste projecto dizem que a coisa mais parecida com este coração é um relógio. Os especialistas independentes reconhecem que ele pode representar uma grande melhoria, em relação à situação actual. Espera-se que a utilização desta prótese venha atenuar, para sempre, o défice, na oferta de corações, para transplante. Mas persistem obstáculos, que a equipa quer superar. Por exemplo, o da alimentação de energia eléctrica. E só os testes podem ajudar a resolver a questão.