Última hora

Última hora

Muro de Berlim: 4 de Novembro, Alexanderplatz

Em leitura:

Muro de Berlim: 4 de Novembro, Alexanderplatz

Tamanho do texto Aa Aa

O relógio universal já girava no dia 4 de Novembro de 1989 em Alexanderplatz, o centro dos encontros populares em Berlim Leste. Paradoxalmente, afixava as horas dos locais que os berlinenses só podiam visitar em sonho.

Só que, nesse Outono, na RDA, eram cada vez mais as pessoas a protestar… como em Leipzing, onde se exigia o respeito pelos direitos dos cidadãos garantidos na Constituição. “Nós somos o Povo”…reclamavam. O dia 4 de Novembro de 89 foi sábado, dia em que a maioria dos alemães não trabalhava e podia manifestar-se na histórica praça. Os artistas fizeram a convocação, invocando os artigos 27 e 28 da Constituição da RDA que proclamavam a liberdade de opinião, de imprensa e de reunião. Foi a primeira vez que, em 40 anos, os berlinenses de Leste se puderam manifestar e o fizeram livremente com microfones. Guntër Schabowski, dirigente do partido comunista em Berlim, bem tentava direccionar os ânimos: “Caros berlinenses, o que nos dá esperança nesta manifestação de união de Krenz e Gorbachev …” Mas foi assobiado pela multidão…coisa nunca vista. Os manifestantes perguntavam em coro: “quem elegeu este homem?” Já ninguém aguentava as hesitações, eram necessárias verdadeiras reformas. Como recorda um cidadão, “foi a maior livre expressão de opinião da história da RDA e mostrou, espontaneamente, como a livre opinião dinamiza o povo”. Na segunda-feira, até o jornal oficial do partido comunista tinha a manchete: 500 mil manifestantes protestam em Berlim, e publica o projecto-lei sobre as viagens ao estrangeiro, nomeadamente a frase: “os cidadãos da RDA têm o direito a viajar ao estrangeiro”. Três dias depois, a 9 de Novembro, quando um jornalista perguntou a Günter Schabowski quando é que a lei entrava em vigor, a resposta desencadeou o assalto ao Muro de Berlim.

O Muro de Berlim: pt.euronews.net/1989-2009