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Laszlo Kovacs: "O Muro colapsou mais cedo do que estávamos à espera"

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Laszlo Kovacs: "O Muro colapsou mais cedo do que estávamos à espera"

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euronews: Estamos na Comissão Europeia, em Bruxelas, para entrevistar uma testemunha importante desses dias de 1989: o comissário Laszlo Kovacs da Hungria. O seu país integrava o bloco soviético e teve um papel importante na agitação do império soviético, desde a revolta de 1956 contra o Exército Vermelho.

Comissário Kovacs, o que fez na noite em que o Muro de Berlim caiu? Laszlo Kovacs: Eu estava em Budapeste, no meu apartamento, a ver televisão, como milhões ou centenas de milhões de pessoas, porque a queda do Muro de Berlim era a queda do símbolo da divisão europeia da Guerra Fria. E nesse momento, eu estava a pensar e a lembrar-me do início, porque o chanceler Helmut Kohl declarou que a Hungria foi o primeiro país a remover o primeiro tijolo do Muro de Berlim, quando abriu a fronteira austro-húngara, dois meses antes. E devemos dizer que, um ano depois, assistimos à reunificação dos dois Estados alemães. Portanto, foi, de facto, um evento de importância histórica. euronews: Teve a impressão que era o final do sistema, o colapso do sistema soviético e socialista? Laszlo Kovacs: Nessa altura sim. Mas o interessante foi que, dois meses antes, quando abrimos a fronteira austro-húngara, as nossas expectativas não foram tão longe. Nessa altura, sabíamos que ao abrir a fronteira, iríamos tornar o Muro de Berlim completamente inútil, mas ele colapsou mais cedo do que estávamos à espera. euronews: E os outros húngaros? Na noite de 9 de Novembro, também tiveram a impressão que tudo tinha acabado? Laszlo Kovacs: Acho que sim, porque na Hungria, entretanto, a transição política e económica tinha ido muito longe. Estávamos a preparar-nos para as primeiras verdadeiras eleições livres e democráticas. Portanto, as mudanças tinham ido bastante longe, tal como em outros ou na maioria dos países do bloco soviético. A Polónia era o líder, mas a Hungria seguia a Polónia e eu acho que os outros países também vieram. euronews: Como é que a Hungria mudou depois da mudança de regime que aconteceu há 20 anos? Laszlo Kovacs: No que respeita à política externa e eu insisto na política externa, porque, mais tarde, na segunda eleição que o Partido Socialista ganhou, eu tornei-me ministro dos Negócios Estrangeiros do país e fui novamente ministro dos Negócios Estrangeiros em 2002, antes de vir para Bruxelas. Portanto, na altura, no que respeita à política externa, a maior mudança foi a nossa aspiração de aderir à União Europeia e à Nato, o que conseguimos. euronews: Comissário, o senhor foi um homem do aparelho do Partido Comunista. Dirigia o Departamento das Relações Internacionais nessa altura. E agora pertence ao aparelho europeu. Há alguma ligação entre os dois? Laszlo Kovacs: Certamente, há ligações, mesmo ligações pessoais, porque quando eu trabalhava no partido, na sede do Partido, no início dos anos 80, enquanto vice-presidente do Departamento Internacional, eu tratava das relações da Hungria com os países ocidentais, mas também das relações entre o partido húngaro e os partidos sociais democratas ocidentais. E muitos dos meus antigos colegas, os quais conheci no movimento juvenil, estão agora em altos cargos nos países ocidentais europeus como líderes dos partidos sociais democratas.