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Sucessão digna de Arafat no Fatah....precisa-se!

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Sucessão digna de Arafat no Fatah....precisa-se!

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De herói da guerrilha a Nobel da Paz, o facto é que Yasser Arafat detinha as rédeas do poder palestiniano.

Nunca foi fácil, mas de algum modo combinou carisma e astúcia para alcançar um consenso nacional entre as facções rivais. Só que, depois da sua morte, sobrepuseram-se as lutas internas pelo poder, impedindo qualquer progresso no sentido de construir um Estado palestiniano. Mahmoud Abbas assumiu o lugar de Yasser Arafat e assumiu-se como moderado perante os líderes ocidentais. Também teve relações cordiais com o dirigente do Hamas, Ismail Haniyeh. Mas as tensões entre o Fatah e o grupo islâmico rival Hamas transformaram-se em luta feroz, há dois anos, quando as forças de segurança respectivas discordaram sobre o controle de Gaza – a batalha foi vencida pelos islamitas. Os egípcios esforçaram-se para conciliar os dois lados, mas não conseguiram obter resultados. O Hamas recusa as propostas egípcias aceites pelo movimento Fatah , e nega estar a congelar as negociações. A popularidade de Abbas baixou na Cisjordânia e em Gaza, depois da vaga de bombardeamentos israelitas. Por outro lado, o próprio Abbas considera a hipótese de resignação por causa da falta de apoio dos Estados Unidos em relação à política israelita de colonatos. No entanto, analistas como Nader Said do dizem que é tempo de mudança. “Os palestinianos não estão tão interessados em líderes individuais que parecem ser apreciados e tolerados pela comunidade internacional. Eles estão interessados em alguém que possa realmente mudar a situação. Alguém que esteja disposto a assumir a responsabilidade face aos Estados Unidos, Israel e face aos próprios palestinianos”. Um dos candidatos mais populares à substituição de Abbas é Marwan Barghouti, activista do Fatah, conhecido como pai da segunda Intifada, que está determinado a candidatar-se mesmo na prisão. Foi condenado a cinco prisões perpétuas. Não reconhecer Israel o direito de o julgar pelos mortíferos ataques só lhe aumentou a popularidade. A nível interno o Fatah está a promover a candidatura do diplomata na ONU, Nader Al-Kwidwa. Pelo menos está livre de todas as acusações de corrupção que pendem sobre o Fatah. Também ajuda ser sobrinho de Arafat, o que vai pesar nas negociações de reconciliação com o Hamas.