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Zelaya rejeita acordo para regressar à presidência das Honduras

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Zelaya rejeita acordo para regressar à presidência das Honduras

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Derrubado por um golpe de Estado em Junho, o presidente das Honduras anunciou hoje que não aceitará qualquer acordo para regressar ao poder.

Refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, Manuel Zelaya leu esta manhã uma carta endereçada ao presidente norte-americano onde considera “ilegais” as eleições convocadas pelos golpistas para dia 29 de Novembro e apoiadas por Washington. “Não aceitarei qualquer acordo que me permita regressar ao meu posto encobrindo o golpe de Estado que teve um efeito negativo sobre os direitos humanos no meu país”, afirmou Zelaya. Desde há vários meses que o país é palco de um braço de ferro entre países como a Venezuela ou o Brasil e os Estados Unidos. As negociações para formar um governo de união nacional antes das eleições previam o regresso de Zelaya ao poder, mas até agora o governo golpista do antigo presidente do parlamento, Michelletti, recusa-se a dar qualquer passo nesse sentido. O impasse prolonga assim o embargo imposto pela comunidade internacional ao país. No bairro pobre de “El Infernito” na capital hondurenha, uma habitante afirma que os pobres são as principais vítimas da situação. “Mas sem sofrimento não podemos ultrapassar esta crise. Veja quantas crianças vêm aqui comer, nós vamos continuar a lutar para vencer a adversidade. Nenhuma criança sai daqui de barriga vazia”. Num país onde mais de metade da população sobrevive com menos de dois euros e meio por dia, o embargo internacional levou à redução de 70% da ajuda humanitária. Sem fim à vista, a actual crise política arrisca-se a agravar o isolamento de um dos países mais pobres da América Latina.