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Argélia-Egipto, um jogo que não cabe em quatro linhas


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Argélia-Egipto, um jogo que não cabe em quatro linhas

O encontro entre Argélia e Egipto por um lugar no campeonato do mundo entrará na história como um duelo onde o confronto desportivo foi relegado para segundo plano. Mais que uma vitória, os adeptos exigem vingança contra os seus rivais, exibindo fotos de vítimas de agressões em solo egípcio.

Uma recepção violenta e à qual nem os jogadores da equipa argelina escaparam. A sua chegada a Cairo foi tudo menos pacífica, com um grupo de adeptos locais a apedrejar o autocarro, ferindo três futebolistas.

A ausência de uma condenação oficial por parte do Egipto apenas serviu para alimentar a cólera argelina, com o incidente a escalar rapidamente para o plano político.

O rastilho da violência estendeu-se de Cairo a Argel, com os argelinos a vingarem as agressões de que os seus compatriotas foram alvo. Quem sofreu as represálias foram as delegações da Egypt Air e da Orascom, operador móvel de um grupo egípcio.

O resultado foram cinco milhões de euros de danos e uma crise diplomática iminente entre os dois países do norte de África.

No Sudão as duas selecções entrarão em campo com o mundial em vista, para um jogo durará bem mais de noventa minutos.

euronews: Para nos falar deste jogo de alto risco, colocámos frente a frente dois jornalistas da euronews: Mohammed el Hami, egípcio, e Adel Delal, argelino. Como é que se sentem relativamente a todos estes acontecimentos?

Mohammed el Hami: Penso que todos estes incidentes acabam por ser naturais, sobretudo se tivermos em conta o papel desempenhado pela comunicação social. Ao longo dos últimos meses que vinha sendo travada uma guerra mediática entre os órgãos de comunicação social dos dois países.

Também é preciso ter em conta que estes adeptos são jovens desempregados, que usam o desporto como escape para as suas frustrações. Julgo que foi isto que despoletou todos os incidentes.

Adel Delal: Infelizmente este encontro acabou por se transformar num ringue de boxe e num palco para a violência. Pessoalmente não acho que seja natural. As autoridades egípcias e as forças de segurança tinham capacidade para colocar um ponto final à violência contra os adeptos argelinos. Estamos verdadeiramente desapontados com a falta de espírito desportivo que tomou conta do confronto.

euronews: Os dois países têm historicamente uma boa relação, julgam que estes acontecimentos podem dar origem a uma crise diplomática?

Mohammed el Hami: Não acredito que isso venha a acontecer. É verdade que os dois embaixadores foram chamados para se justificarem, mas para mim trata-se apenas de uma crise temporária.

Adel Delal: Não estou de acordo. Estamos na iminência de uma crise diplomática, mesmo que ela não tenha sido declarada. As relações entre os dois países são bastante boas e têm sido ao longo de vários séculos de um forte relacionamente histórico.

No entanto estes incidentes e as agressões que a equipa argelina sofreu mostraram que essa solidez é uma ilusão e que infelizmente ainda é tudo bastante frágil.

Há pontos de vista diferentes para cada história: a Euronews conta com jornalistas do mundo inteiro para oferecer uma perspetiva local num contexto global. Conheça a atualidade tal como as outras línguas do nosso canal a apresentam.

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