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Reino Unido não queria depor Saddam Hussein

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Reino Unido não queria depor Saddam Hussein

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As mãos manchadas de sangue de Blair, Bush e Brown. Foi assim que um grupo de manifestantes acolheu o primeiro dia de trabalhos da comissão de inquérito sobre a participação da Grã-Bretanha na invasão do Iraque.

Os media britânicos põem em causa a independência da comissão de inquérito. Mas o presidente promete uma investigação séria. John Chilcot diz que há que “identificar as lições a tirar do envolvimento do Reino Unido para ajudar futuros governos que se deparem com situações semelhantes”. Neste primeiro dia de audições, as testemunhas garantiram que o governo de Tony Blair não tinha previsto fazer cair o regime de Saddam Hussein e que foi a mudança de estratégia dos Estados Unidos que levou o Reino Unido a participar na invasão. Para Abdul-Jaber Ahmed, vice-reitor da Universidade de Ciências Políticas de Bagdad, não há dúvidas sobre a culpabilidade de ambos os países: “O inquérito sobre a responsabilidade de Tony Blair devia alargar-se à administração norte-americana. George W. Bush e mesmo Barack Obama também são culpados dos erros crassos que foram cometidos no Iraque e que causaram a morte de civis iraquianos.” Os Estados Unidos, por seu lado, dizem-se prontos a cooperar com no inquérito. A comissão, nomeada pelo actual governo britânico, vai ouvir militares, diplomatas, políticos e altos funcionários para compreender o processo de decisão que levou a Grã-Bretanha a juntar-se aos Estados Unidos na invasão do Iraque em 2003. O próprio ex-primeiro-ministro Tony Blair deverá testemunhar, no início do próximo ano.