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François Schuiten: "Adaptar o Tratado de Lisboa à banda desenhada seria um insulto para a BD"

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François Schuiten: "Adaptar o Tratado de Lisboa à banda desenhada seria um insulto para a BD"

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Bruxelas, cidade política mas também artística. O coração político da Europa já inspirou o artista belga de banda desenhada, François Schuiten, mas não faz sonhar o criador da série “Cidades Obscuras”.

Euronews: François Schuiten, você é desenhador de banda desenhada, vive em Bruxelas, trabalha em Bruxelas. O que lhe inspira a Europa, a União Europeia, os seus edifícios e, sobretudo, o que lhe inspira o Tratado de Lisboa? François Schuiten: “Bem, a Bélgica tem um olhar particular, porque ela acolhe as instituições europeias. Ela vê, antes de mais, a importância que ganhou esta parte da cidade, imponente e, por vezes, opaca. Esta burocracia que asfixia o centro da cidade. Ao mesmo tempo, sente-se os efeitos positivos deste tratado, sente-se que vai fazer avançar a máquina europeia mas, no fundo, não nos faz sonhar. Não tenho a impressão que a cultura seja um dos elementos centrais deste tratado, que vá permitir uma melhor compreensão dos valores, que vá levar os jovens a sentirem-se europeus, a desejarem visitar a Europa ou contactar com as culturas europeias” Bruxelas influencia diariamente a vida dos cidadãos, mas o centro de comando da Europa continua a ser uma ideia abstracta, a tal ponto que a participação dos europeus se tornou tema central dos actuais debates. Euronews: Muitas vezes acusa-se a Europa, sobretudo, os textos jurídicos como os tratados, de não serem claros, de serem difíceis de compreender pelos cidadãos. Será que poderia colocar o Tratado de Lisboa numa banda desenhada? François Schuiten: “Acho que isso seria um insulto à banda desenhada e ela merece melhor do que isso, do que adaptar coisas laboriosas. A Europa construiu um sistema que a um dado momento terá de entrar em contacto com os cidadãos, terá de comunicar. Há algo a fazer, é preciso imaginar, diria, sem dúvida, novos sistemas, novas relações, novas ligações, novas raízes”.