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Duas orquestras, um maestro

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Duas orquestras, um maestro

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Três instrumentos alternativos numa orquestra sinfónica. A Orquestra Nacional de Lyon viajou até ao mundo das montanhas. Fora da cidade, de regresso à natureza com a sinfonia alpina de Richard Strauss.

O compositor alemão escreveu-a entre 1911 e 1915. É considerada uma das melhores descrições da natureza na música clássica. “Começa durante a noite. No auge temos a claridade do sol, o mais brilhante possível, e no final temos a noite, de novo. Mas é mais do que isso. É uma experiência humana que mostra a sensação de caminhar para luz e as dificuldades com que nos deparamos. Todos nos deparamos com estas dificuldades, incluindo na orquestra. É preciso trabalhar muito com a orquestra para atingir a sonoridade”, afirma o director da Orquestra Nacional de Lyon. Jun Markl é director da Orquestra Nacional de Lyon desde 2005. Há dois anos foi mais longe e tornou-se em simultâneo, maestro da Orquestra Sinfónica da MDR, em Leipzig. Duas orquestras em dois países, tarefa pouco fácil. Durante colaborações reparamos na grande diferença de atitude mental, que já está patente na educação. Mas torna-se bastante evidente nos trabalhos de grupo. Os franceses trabalham muito mais com programas autoritários. Existe um grande chefe, tudo depende dele. Nas orquestras alemãs há mais trabalho de equipa. Trabalho de equipa – é o que Markl pretende dos jovens talentos. Até se ir embora, em 2011, quer continuar a apoiar os artistas em especial as jovens promessas. “Em França, os jovens talentos são muito pouco apoiados. Sejam eles maestros ou solistas. Têm que ganhar experiência, especialmente os condutores. Assumi a tarefa de ajudá-los mas encontrei uma grande oposição na orquestra e nesta casa. Consegui que jovens condutores ou solistas como David Guerrier tivessem uma chance. E isso a orquestra está orgulhosa de o ter feito, porque são pessoas que vêm desta região”, Markl Tem apenas 25 anos, mas David Guerrier já possui um percurso excepcional. Teve sucesso em várias partes do mundo como trompetista. Com 16 anos aprendeu a tocar a trompa, tornando-se solista. Em Lyon ele tocou o concerto número 4 de Mozart. “É sempre especial porque quando era estudante lembro-me que vinha escutar todos os concertos da orquestra e era algo muito importante. Hoje estou muito feliz por estar do outro lado”, diz Guerrier.