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Lyon mergulha num remoinho de luz e cor


Cultura

Lyon mergulha num remoinho de luz e cor

De 5 a 8 de Dezembro a cidade francesa de Lyon viveu ao ritmo da tradicional Festa das Luzes.

Naquela que foi a 11a edição, 16 projectos artísticos fizeram brilhar a antiga capital da Gália romana, transformada num grande teatro luminoso. “É verdade que muitos dos projectos giram em torno do tempo, o tempo meteorológico ou horário. É um pouco do que se vê na fachada da câmara municipal e do museu de belas artes, iluminadas com tempestades, gelo, ou vagas de calor… ou seja muita coisa relacionada com o tempo”, diz Najat Vallaud-Belkacem, vice-presidente da Câmara. E é assim que o tempo se torna rei no coração da cidade, num espectáculo surpreendente e carregado de simbolismo. Marie-Jeanne Gauthé, a autora desta instalação luminosa explica: “De facto, o tempo representa a hora ou a meteorologia… as intempéries e o tempo que passa. Fizemos jogar estas duas noções e mostramos o frio, com a fachada a quebrar-se, que se gela, o calor com a fachada a derreter-se ou inundações com a água da chuva. Estes três ambientes climáticos levam-nos – com uma face um pouco catastrófica – a vislumbrar o futuro do planeta, ou seja, é um piscar de olho”. O tempo pára na praça de Saint Jean, na velha Lyon. Aí somos transportados para a época dos operários, que a partir do séc. 12 levaram 300 anos para erguer esta magnifica catedral. “É uma homenagem completa aos trabalhadores, a todos aqueles que trabalham na pedra, concebem este tipo de arquitectura. Foi um trabalho em constante evolução mas que por vezes foi por água abaixo e regressou ao papel”, explica o autor, Daniel Knipper. A “Dolce Vita” de Fellini revisitada na Praça dos Jacobinos fez a delícia de espectadores cada vez mais numerosos nesta festa que faz fluir milhões de pessoas nas ruas lionesas. Este ano as autoridades estimavam a presença de 4 milhões de pessoas durante os 4 dias. Pela primeira vez, a fachada da basílica da nossa senhora de Fourviére foi iluminada ao ritmo dos 23 sinos do seu carrilhão. “O tema escolhido foi a pintura clássica, cubista, abstracta ou contemporânea. Mergulhamos essas cores no carrilhão e a luz fica em ritmo com o som”, explica Jean-Luc Hervé, o criador.

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