Última hora

Última hora

Itália recorda tragédia de Piazza Fontana e o início dos "anos de chumbo"

Em leitura:

Itália recorda tragédia de Piazza Fontana e o início dos "anos de chumbo"

Tamanho do texto Aa Aa

Foi há 40 anos que a Itália despertou para um período de violência e de luta armada. A 12 de Dezembro de 1969, uma bomba explode na Piazza Fontana, em Milão, provocando 16 mortos e quase 90 feridos. A tragédia é hoje recordada com dois cortejos na cidade.

Um sobrevivente recorda o atentado: “Encontrei-me num silêncio de morte. Não se conseguia andar. Havia fragmentos de vidro, sangue, corpos desmembrados. Vagueava no meio daquela matança.” Piazza Fontana marca o início dos “anos de chumbo” em Itália. Os funerais levaram as pessoas para ruas de Milão e não só. A polícia fez quatro mil detenções e seguiu a pista da extrema-esquerda. Um dos suspeitos, Giuseppe Pinelli, morre ao cair da janela do quarto andar onde estava a ser interrogado. O anarquista Pietro Valpreda também é preso. Mais tarde, a polícia vira-se para a extrema-direita e detém Giovanni Ventura e Franco Freda. Hoje não se conhecem os autores do atentado e há quem defenda a tese da “estratégia da tensão”, segundo a qual a CIA teria ajudado certos grupos italianos a criar um clima de medo para impedir os comunistas de atingir o poder. A factura dos “anos de chumbo” em Itália regista 342 mortos e mais de cinco mil feridos.