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Greve de fome pela autodeterminação do Sara Ocidental

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Greve de fome pela autodeterminação do Sara Ocidental

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Aminatou Haidar, de 42 anos, está em greve da fome há precisamente um mês. Chamam-lhe “a passionaria” ou a “Ghandi do Sara Ocidental” por resistir às pressões marroquinas e espanholas, não cede.
Activista assumida, tornou-se,o símbolo de uma guerra africana que já tem 35 anos.

“Regressarei a Marrocos, viva ou morta”, assegura.

Apoiada por numerosos cidadãos em Espanha, onde ameaça morrer, Aminatou recusa pedir perdão a Marrocos “por ter renegado a nacionalidade marroquina”, como a acusam. Ela, sendo do Sara Ocidental, considera-se sariana e defende o direito do seu povo à autodeterminação.

O Sara Ocidental tem 266 000 km² e fica no Noroeste de África. É reivindicado por Marrocos e pela República Árabe Sariana, fundada pela Frente Polisário. Marrocos ergueu um muro de defesa em pleno coração do deserto para travar as incursões dos separatistas.

A história data de 1975. O Sara era uma colónia espanhola e Marrocos, que considera o território seu reclama a sua restituição. No dia 6 de Novembro, o Rei Hassan II impulsionou a marcha verde com 350 mil voluntários que correram com o Corão e a bandeira nas mãos. Madrid defende a partilha do território entre a Mauritânia e Marrocos.

Mas os sarianos, apoiados pela Argélia, não foram consultados. E o que eles querem é a independência. Para eles, marroquinos ou mauritanos são apenas ocupantes.
A 27 de Fevereiro de 1976, a Frente Polisário nascida da luta contra o ocupante espanhol, três anos antes, proclamou a República Árabe Sariana Democrática e mudou de alvo.

A guerra eclodiu entre os rebeldes da Frente de Libertação e as forças marroquinas e mauritanas. Em 1979, a Mauritânia assinou a paz e abandonou os territórios, logo a seguir anexados por Marrocos. A guerra continuou entre as duas partes, apesar de um cessar-fogo em 1991.

Assim, mais de 30 anos depois da partida dos colonizadores, o Sara Ocidental ainda não obteve um estatuto definitivo. Marrocos propõe uma autonomia alargada com soberania marroquina enquanto que a Polisário, apoiada pela Argélia recusa e reivindica um referendo de autodeterminação.

Aminatou Haidar, ao fazer greve de fome, dá um novo relevo ao conflito.