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Roménia: testemunhos da luta pela liberdade

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Roménia: testemunhos da luta pela liberdade

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“Penso que aquilo começou, como uma rebelião… um modo de exteriorizar a cólera.”

“A vida em si é que nos colocou nas ruas, foi mesmo Deus. Não foi propriamente acidental. Foi um milagre em Timisoara e, depois, em todo o país.”

“Tive medo… mas…”

Os três homens, um jornalista, um desportista e um oficial do exército são residentes em Timisoara, na Roménia. Todo viveram as primeiras horas da revolução romena.

No dia 16 de Dezembro de 1989, a tentativa de expulsar um pastor protestante húngaro desencadeou manifestações de apoio que, rapidamente, evoluiram para uma imensa contestação.

O pastor era Lazlo Tokes… há várias semanas que sofria pressões da Securitate, os serviços secretos do regime, que o acusavam de traidor a soldo a CIA.

Tokes recorda:

“As manifestações de solidariedade começaram a 15 de Dezembro. Leváram-nos a 17, e partir desse dia, a multidão cercou a Igreja, dia e noite, e as manifestações continuaram. Nos primeiros dias eram apenas movimentos de apoio, que no dia 16 se transformaram em protestos generalizados contra a situação e as insuportáveis condições do regime e, finalmente, contra o comunismo”.

A 17 de Dezembro, os blindados apareceram nas ruas O exército recebeu ordem para disparar, directamente de Elena Ceausescu, mulher do ditador. Mas alguns oficiais não cumpriram a ordem e passaram para o lado dos manifestantes.Foi o princípio do fim dos Ceausescu.

Nicolae Durac foi um dos protagonistas militares.

“Pensei que a minha recusa da execução da ordem ia ser seguida por outros. Infelizmente não se passou assim .”

Nos quatro dias de revolta, cerca de 100 pioneiros da revolução foram executados em Timisoara. A insurreição fez milhares de feridos. Mas a 20 de Dezembro, Timisoara foi declarada a primeira cidade livre da Roménia.