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Roménia: o preço da liberdade ganha há duas décadas

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Roménia: o preço da liberdade ganha há duas décadas

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Tismisoara, há 20 anos, era um mar de gente com sede de liberdade. Começou por quase nada, uma gota de água na ditadura, um padre expulso…e de repente, uma multidão estava na rua a clamar por liberdade.
O levantamento popular contra o regime comunista de Ceausescu foi imediatamente apoiado pelos miliatres e Timisoara foi proclamada a primeira cidade livre da Roménia a 20 de Dezembro de 1989.

Duas décadas depois, a memória dos primeiros dias é preservada no Museu da Revolução. O director,
Traian Orban, lembra como se fosse hoje:

“Era extraordinário podermos estar todos juntos a gritar pela liberdade. Assim, sentíamo-nos protegidos e encorajados, mas também havia o exército….”

Mas esta não é a única recordação de Orban. Tem numa perna as marcas de um ferimento da bala que o atingiu nessa mesma Praça da Liberdade, logo a 17 de Dezembro, primeiro dia da revolta popular, quando a Securitate abriu fogo. .

´Devem ter sido as últimas ordens dos Ceausescu, Nicolae e Elena, que dirigiram a Roménia com mão de ferro durante cerca de 25 anos.

O pequeno memorial aos mortos homenageia Maria Andrei, atingida mortalmente na Ponte Decebal. O corpo da jovem e de outras 43 pessoas , foi rapidamente incenerado numa tentativa desastrosa de evitar a identificação.

A irmã de Maria, Camélia, voz embargada pelas lágrimas, conta:

“No dia 5 de Janeiro, os meus pais, que não viviam em Timisoara, vieram à cidade buscar o certificado da morte da minha irmã. Obtiveram-no no dia seguinte, a 6, data do nascimento do meu bebé. Ironia do destino”.

Geanina Juganuru tinha 10 anos quando trouxeram o pai sem vida para casa. Há pouco tempo, enfrentou o general que acusa desta morte, mas que o tribunal absolveu. Agora é professor universitário:

“Havia o risco de vir a ser meu professor, que desse aulas à minha turma. E era um choque para mim… obviamente que o recusei como professor e os meus colegas, em solidariedade, recusaram todos tê-lo como docente”.

20 anos depois da revolução romena, ainda não foi feita justiça .