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O Dia D da revolução romena

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O Dia D da revolução romena

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21 de Dezembro de 1989 foi o dia decisivo da revolução romena. Há cinco dias que Timisoara era palco de uma revolta. Numa última tentativa de recuperar o ascendente sobre o povo, o ditador Nicolae Ceausescu convocou uma manifestação de apoio. Mas em vez de aplaudi-lo, as pessoas começaram a apupá-lo… Ceausescu ainda tentou apelar à calma, antes de se refugiar no edifício.

Em algumas horas, uma maré humana invadiu Bucareste. Os manifestantes bloquearam as ruas e, rapidamente, se ouviram os tiros do exército.

Zoltan Andras foi um dos que esteve nas ruas há 20 anos: “Estava claro que o equilíbrio de poder e toda a situação estava de pernas para o ar e aqui, na Avenida Magheru, um grupo de pessoas, formado de forma espontânea, começou a cantar ‘Abaixo Ceausescu, abaixo o comunismo. Queremos liberdade!’”

Os manifestantes enfrentaram os tanques do exército. 49 pessoas morreram nos confrontos desse primeiro dia de revolta em Bucareste.

O escritor Florin Iaru foi preso nessa data: “O dia 21 foi o mais bonito da minha vida. É verdade que desde então perdi alguns amigos, que morreram entretanto, mas todos os anos não consigo deixar de me sentir feliz por não ter sido cobarde”.

Os confrontos prosseguiram noite dentro. De manhã, centenas de milhares de pessoas reuniram-se, espontaneamente, no centro da capital. Ceausescu decretou o estado de urgência, mas já era demasiado tarde. A multidão invadiu o edifício do Partido Comunista Romeno.

Pouco depois do meio-dia, o ditador e a mulher fugiram num helicóptero que os resgatou no telhado do edifício. Os dois foram apanhados, submetidos a um julgamento sumário e fuzilados três dias mais tarde, no dia de Natal.