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Autarquias africanas reunidas em Marraquexe

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Autarquias africanas reunidas em Marraquexe

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Todos conhecemos a África dos Estados, mas poucos conhecem a África de um ponto de vista do poder local. Desde há 11 anos, de três em três anos, há uma reunião de autarquias africanas. A quinta cimeira Africités decorreu em Marraquexe.

Milhares de autarcas juntaram-se para partilhar experiências e também para sublinhar a importância da administração local no continente.

“Quando o Banco Mundial e o FMI vêm a estes países só conhecem um ponto ou dois pontos. Conhecem o ministro das Finanças, porque é ele quem gere a balança de pagamentos e conhecem o porto, porque é lá que é gerida a balança comercial. Há 20 anos que toda a administração está tensa em relação aos encontros com o FMI e com o Banco Mundial e o interesse deles não recai na capital, mas sim na ilha onde está o ministério das Finanças e na zona do Porto, quando há um. Por isso, de certa forma, é preciso refundar os nossos Estados, com base nas autarquias”, explica Jean-Pierre Elong Mbassi, presidente da União Africana de Autarquias.

Esta edição da Africités foi também um pretexto para a entrega dos prémios Harubuntu, pela ONG belga Echos Communication. Explica o secretário-geral desta organização, François Milis: “É uma maneira de valorizar os criadores africanos de riqueza e de esperança, para que sirvam de modelo para outros africanos e mudar a imagem que África tem na Europa, para uma imagem mais positiva e menos estereotipada”.

Mostafa Maataoui é o presidente da pequena autarquia marroquina de Sidi Bouhmedi. É graças a ele que esta zona tem agora uma estrada, água canalizada e electricidade: “A água potável vai ser utilizada em casa. A dos poços, que se utilizava antes para beber, vai ser utilizada na produção de comida. É uma resposta à crise, que desenvolvemos dentro do espírito “slow food”. Queremos produzir algo verdadeiramente biológico, natural”, diz.

Serge Vyisinubusa é um empreendedor no verdadeiro sentido do termo. Construiu, no Burundi, uma barragem para alimentar uma micro-central eléctrica e tem mais projectos em mente. Conta, “o governo pediu a minha ajuda quando criei uma sociedade anónima com engenheiros chineses e do Burundi. Estamos a estudar locais para fontes de energia. Acabámos agora um estudo para sete micro-centrais que vão ser construídas no próximo ano. É algo que deve ser feito onde é tecnicamente possível, no país e na região, porque temos um défice de energia e África tem muitas potencialidades”.

Estas iniciativas foram valorizadas aqui, na cimeira Africités. Iniciativas locais, mas que se inserem num quadro mais largo – o de uma África redesenhada, a África dos povos.