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Populares do Cazaquistão denunciam reabilitação do estalinismo

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Populares do Cazaquistão denunciam reabilitação do estalinismo

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Estamos em Dolinka, no Cazaquistão. Num cemitério abandonado jazem os corpos de centenas de crianças que nasceram e morreram durante o gulag de Dolinka e Karaganda. Chamam-lhe o cemitério “Maman”.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Estaline deportou para o Cazaquistão população soviética suspeita de ajudar o inimigo nazi. Em 1941, seguiram-se os alemães da república autónoma de Volga.

Em Dolinka foi erguido um museu para homenagear as vítimas mas reviver as memórias é um processo difícil

“Diria que definitivamente, este é um assunto tabu, não é muito discutido mas comporta um grande significado histórico, diz o investigador alemão Achim Schmillen.

É difícil ignorar o legado dos campos de trabalho forçado. O Cazaquistão que procura manter as boas relações com Moscovo depois da independência, não tem cumprido com o dever, de não deixar cair as vítimas no esquecimento. De há uns anos para cá o Estalinismo tem recuperado protagonismo na Rússia.

A investigadora e jornalista Yekaterina Kuznetsova fala com alguma reserva: “A actual situação política na Rússia, a reabilitação de Estaline, a promoção do seu bom nome – o desejo de uma mão forte – tudo isto é uma grande preocupação, porque uma mão forte não significa liberdade.”

Perto de Dolinka, no parque público de Karaganda existe um memorial discreto.

Uma homenagem insuficiente para este sobrevivente do campo de concentração que construiu o próprio memorial no seu jardim.

“No primeiro de Maio as pessoas carregam fotografias de Estaline e Lenine, os jovens manifestam-se por eles, é chocante. Eles precisam saber, precisamos contar-lhes quem eram verdadeiramente estas pessoas, afirma Mikhail Shmulyov.

Recentemente, o presidente russo Dmitri Medved homenageou as vítimas do ditador soviético com uma declaração que não justifica a opressão.

Mas as manifestações pró-estalinista têm aumentado na Rússia. Por ocasião da comemoração dos 130 anos do nascimento de José Estaline, membros do partido comunista juntaram-se na Praça Vermelha em Moscovo e em Vladikavkaz na Ossétia do Norte.