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Putin: uma década de poder

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Putin: uma década de poder

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As celebrações de Fim de Ano na Rússia marcam também uma década de poder de Vladimir Putin.

Há 10 anos, quando foi nomeado presidente interino era praticamente um desconhecido. O presidente Boris Ieltsin surpreendeu o mundo ao anunciar a própria demissão na noite de fim de ano e ao apresentar Putin como provável sucessor nas eleições, apenas uns meses depois de o nomear primeiro-ministro.

Depois de uma convincente vitória eleitoral, nas eleições de 2000, com 53 por cento dos votos, o oficial dos serviços secretos na KGB, do círculo de São Petersburgo, tomou posse com a promessa da segurança.

Estava decidido a acabar con o caos e a instabilidade que marcaram os últimos dois anos da presidência de Ieltsin.

Colocou a Duma sob controlo e aboliu a eleição directa dos governadores regionais – um dos factores de corrupção em toda a Federação Russa.

Maria Lipman analisa:

“Vladimir Poutine capitalizou a vaga de ressentimento e a frustração que se tinham instalado no coração do povo russo, no fim dos anos 90. Rapidamente aboliu o sistema de participação e de competição política e restabeleceu um monopólio de Estado na política e na tomada de decisões na Rússia.”

A seguir, Putin limitou a liberdade de imprensa e colocou os Media sob controlo estatal.

Enquanto Putin controlou a vida política do país as coisas correram bem para a classe média. Mas o boom gerado pelo preço do petróleo e do gás fez com que muitos russos enriquecessem desmedidamente, o que deu lugar a uma nova classe alta. Muitos consideram que a riqueza chegou à conta da liberdade política.

Os oligarcas favorecidos por Ieltsin, em troca de apoio político deixaram de poder opinar politicamente.

Mikhail Khodorkovsky, o homem mais rico da Rússia, patrão da gigantesca petrolífera Iukus, não aceitou as indicações e chegou, mesmo a criar uma Fundação que desafiou Putin: “Rússia Aberta”

Foi para a prisão, em 2005, mas a condenação foi por fraude e fuga aos impostos.

Mais trágico ainda foi o assassínio da jornalista e delatora dos excessos russos na Chechénia,
Anna Politkovskaïa. Outros se seguiram.

A Rússia regressou à ribalta política com o estatuto de superpotência.

Em 2008, como não podia recandidatar-se, Putin escolheu como sucessor Dmitry Medvedev. Vladimir Poutin candidatou-se como primeiro-ministro, para se manter no poder.

10 anos depois da primeira nomeação para primeiro-ministro, Putin ocupa novamente o cargo, e agora, tal como então, é muito provável que o Kremlin venha a estar novamente na sua rota política.