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Elevar os níveis de higiene no Camboja

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Elevar os níveis de higiene no Camboja

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O infantário de uma aldeia cambojana viveu um dia especial – os jogos habituais foram substituídos por um outro, mais educativo. É vital que as crianças aprendam gestos quotidianos de higiene desde a mais tenra idade.

Nesta aldeia, a água é abundante mas, muitas vezes, pode matar devido à falta de um sistema de saneamento básico.

Os 20 anos de guerra tornaram o Camboja num dos países mais pobres do mundo. Desde os anos 90 que o país se esforça para recuperar do atraso. Investir em infra-estruturas é a palavra de ordem. No entanto, hoje em dia, apenas metade da população tem acesso a água potável.

A falta de condições sanitárias ameaça a saúde pública, sobretudo, das zonas rurais.

Fora da capital, Phenong Phen, menos de 20 por cento da população tem acesso a uma casa de banho. As necessidades são feitas, regra geral, “no campo”, o que potencia as doenças que matam uma criança em cada cinco, antes destas chegarem aos cinco anos de idade.

A Unicef e alguns países europeus estão a tentar inverter a situação, entre outras coisas, através do fornecimento de equipamento e muita formação.

Paul Heber, da UNICEF Luxemburgo: “Não chega construir casas de banho, é preciso que as pessoas as utilizem. Neste projecto vamos mais longe. Aconselhamos as pessoas a armazenar água potável e ensinamos os gestos básicos de higiene pessoais. Gestos simples como cobrir o recipiente onde está armazenada a água ou lavar as mãos com sabão fazem uma grande diferença.”

Há dois anos que a família de Sany participa no programa de higiene e saneamento da UNICEF. Sany vive na aldeia de Krang Makak, a Oeste de Phnom Penh. As duas irmãs e os pais seguem os conselhos de higiene do programa.
Aos conselhos básicos de higiene pessoal juntam-se conselhos sobre a coabitação com os animais.
Os responsáveis pelo programa não se cansam de promover a utilização de uma sanita, colocada sobre um buraco e protegida por quatro paredes – já que a intimidade também é muito importante.

A mãe de Sany mostra-se muito contente: “Desde que temos casa de banho e água limpa, as crianças são mais saudáveis. É mais cómodo para elas.” A construção de latrinas mudaram a vida dos habitantes de Krang Makak.

O responsável da Unicef explica o fenómeno: “O impacto da existência de uma latrina é bem visível sobre o quotidiano de uma família. Esta experiência é repetida por toda a aldeia. Aos poucos, os seus habitantes ficam convencidos. Já que apenas se deixam convencer quando vêm o impacto positivo nas outras casas. A nossa ideia é estender a construção de latrinas às aldeias, concelhos e províncias vizinhas, e a longo prazo, cobrir todo o país.”

O senhor Ven, chefe da aldeia e um dos responsáveis do concelho, tem sete sete filhos e compreendeu depressa as vantagens dos gestos básicos de higiene. Agora, quer ser um exemplo. Zeloso da saúde da sua família numerosa, Ven pensa na intimidade das filhas e nos riscos que corriam quando se aventuravam à noite para ir ao campo.Hoje, a família tem uma verdadeira casa de banho. Até tem um duche.

Hueun Ven, chefe da comunidade, afirma: “A nossa aldeia está rodeada de árvores, arbustos e bananeiras. É muito fácil ir satisfazer as necessidades fora de casa. Por isso é difícil convencer as pessoas a mudarem os hábitos, a utilizarem casas de banho. Por isso, tentamos dar o exemplo e depois informar. Repetimos constantemente a mensagem sobre os gestos básicos de higiene, uma e outra vez. Agora, quando passo por eles, chamam-me senhor casa de banho”.

A mensagem passa por todos os meios. Durante as reuniões da aldeia são distribuídas ilustrações. Os habitantes têm de as classificar por categorias: boa prática, prática aceitável e mau hábito. As imagens são depois explicadas. São também distribuídos boletins. Cada pessoa marca com uma cruz o quadrado correspondente aos seus hábitos de higiene: lavar as mãos antes de comer e depois de ir à casa de banho, com sabão; ou lavar-se apenas com água.

Visal Tan, da UNICEF Camboja: “Eis os resultados. O primeiro lava as mãos com sabão depois de ir à casa de banho e antes de comer. Teve 71 pontos em 86. Mas lavar as mãos só com água também é muito frequente – depreende-se que o instrutor vai ter de voltar a explicar que não utilizar o sabão não é um bom gesto.”

Para melhor convencer os aldeões, a água que cada um armazena em casa é testada e a presença de bactérias comprovada, de modo a explicar a origem de certas doenças. A amostra de água é misturada com um reagente que identifica a presença de bactérias responsáveis pela diarreia e febre tifóide.

Hoje em dia, mais de oitenta por cento das escolas como a de Sany tem acesso a água potável e a casas de banho. E todas as famílias da sua aldeia adoptaram os bons hábitos de higiene.

Mas outras mil milhões de pessoas não têm essa sorte e conhecimento. Um terço da humanidade não tem sequer uma latrina. A água contaminada e uma higiene deficiente matam, em pleno século XXI, 4500 crianças por dia.