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Continua a "caça aos estrangeiros" no Sul de Itália

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Continua a "caça aos estrangeiros" no Sul de Itália

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Esta manhã, os estrangeiros voltaram a ser alvo de ataque em Rosarno, na Calábria, Sul de Itália. Durante a noite, o governo começou a transferir imigrantes para cidades vizinhas. Outros foram embora pelos próprios meios. “As pessoas estão a ir-se embora porque têm medo”, explica um imigrante africano:

Na Calábria, habitam mais de 50 mil imigrantes, que trabalham, sobretudo, na agricultura. Muitos vivem sem água corrente nem electricidade, explorados pela mafia.

Os incidentes começaram quinta-feira, quando centenas de imigrantes se manifestaram contra as agressões, com tiros de pressão de ar, de que alguns trabalhadores foram alvo. “Os imigrantes foram os únicos, nos últimos anos, a terem mostrado que não suportam o poder criminal”, refere Roberto Saviano, especialista das mafias e autor do célebre livro Gomorra. “É certo que se pode criticar a maneiro como o fizeram: incendiar os carros não leva a lado nenhum, mas é preciso ver mais além. Porque naquela região, dizer ‘não’ é realmente perigoso. Estou tentado a pensar, continuo a sonhar que as novas gerações de italianos que terão avós africanos, talvez estas novas gerações consigam quebrar esta relação de omertà – de lei do silêncio – esta subserviência às organizações criminais.”

Desde o início dos confrontos, na quinta-feira, 67 pessoas ficaram feridas: 31 estrangeiros, 19 polícias e 17 habitantes de Rosarno.

Seis imigrantes continuam internados, dois deles em estado grave, depois de terem sido agredidos com barras de ferro, sexta-feira à noite, numa verdadeira caça ao homem.