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Risco de explosão de violência no Haiti

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Risco de explosão de violência no Haiti

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O risco de motins no Haiti é um cenário possível, seis dias depois do terramoto. A redacção da Euronews tenta confirmar com Luis Carballo, nosso enviado especial, o estado de espírito da população haitiana:

“Iremos sabê-lo nas próximas horas ou dias, mas desde já estão reunidas todas as condições para que haja uma explosão de violência. Vê-se bem que que existe um enorme caos, em Port-au-Prince não funciona nada. Aqui é onde estão concentradas todas as equipas de resgate e de distribuição de ajuda humanitária. Podem por isso imaginar o que se passa no resto do país, nas zonas limítrofes da capital onde o terramoto destruiu ainda mais que em Port-au-Prince.

Por exemplo, a quinze ou vinte quilómetros há localidades que ficaram 90% destruídas. Aí ainda não chegaram nem camiões nem ajuda humanitária, segundo as informações que conseguimos recolher. Mesmo aqui em Port-au-Prince, quando nos afastamos do centro, acontece o mesmo. As pessoas começam a perder a paciência porque existem todas as condições para isso. As condições são muito difíceis, faz muito calor, o odor é insuportavel em grande parte da cidade, cheira a cadáveres de uma forma incrível, falta água, falta comida… Enfim continua a ser um verdadeiro caos.

Por agora a situação é esta, pode haver uma explosão de violência popular, pelos depoimentos que pude recolher, é um cenário que não está de todo afastado.”

Estiveram já em contacto directo com a população? Que dizem os haitianos que vão encontrando?

“Por exemplo ontem estivemos num dos bairros mais castigados pelo terramoto, a menos de quatro quilómetros de Port-au-Prince.Fomos por nossa conta e risco, sem transporte nem escolta. Chegámos lá. Fomos os primeiros ocidentais, os primeiros estrangeiros que a população encontrava.

As pessoas contaram-nos que estavam a passar por um sofrimento muito grande. Não tinham ainda recebido ajuda humanitária, nem um garrafa de água que nós mesmo acabamos por lhes dar, com a nossa equipa. Quanto ao seu estado de espírito, o povo haitiano está habituado a este tipo de catástrofes. É um povo estoico. Eu, pessoalmente, notei uma grande dignidade. Mas a situação é muito complicada. Estão a sofrer enormemente.”

Vemos muitos aviões a aterrar mas a ajuda nmâo chega facilmente a quem precisa. Porque é assim tão dificil o encaminhamento?

“Na realidade, o principal problema, pelo que nos foi contado pela ONU e pelos exército americano é que se está ainda na fase UM, quer dizer na fase de busca de sobreviventes. Hoje mesmo, num supermercado, foram retiradas duas pessoas com vida seis dias depois do terramoto. Existe ainda esperança. Mesmo se, a cada minuto que passa, se reduzem as possibilidades. Que é o que se passa, até que não se dêem por encerradas as buscas, o que poderá ocorrer hoje ou amanhâ, segundo as informações que temos.

As estradas estão todas destruídas, os carros despedaçados, não podem imaginar o cenário. Por isso é muito dificl aceder por estrada com os camiões de ajuda humanitária. É muito complicado. Daí que não seja possivel distribuir a ajuda a partir do aeroportos até aos bairros mais afectados.”