Última hora

Última hora

Haiti: enviado especial descreve ambiente de tensão

Em leitura:

Haiti: enviado especial descreve ambiente de tensão

Tamanho do texto Aa Aa

A tensão no Haiti é cada vez maior. Seis dias após o primeiro abalo continuam a faltar medicamentos, comida e água. A ajuda humanitária chega a conta gotas e a violência começa a tomar conta do país como nos conta o nosso enviado especial, Luis Carballo.

euronews – Temos a impressão que a ajuda humanitária começa a chegar às vítimas depois de dificuldades iniciais ligadas à insegurança e à falta de organização e de infraestruturas. Esta ideia confirma-se no terreno ou, pelo contrário, a ajuda continua retida no aeroporto?

Carballo – “Os problemas de coordenação e de segurança mantêm-se. Estamos aqui há quatro dias e, ainda, não vimos qualquer melhoria. O aeroporto está repleto de ajuda humanitária. O problema continua a ser a distribuição, embora ainda estejamos na primeira fase, ou seja, à procura de sobreviventes. E sem terminarmos a primeira fase não podemos avançar para a seguinte, para a reconstrução das casas. É importante que a ajuda humanitária possa ser distribuída o mais depressa possível, o problema é que a cidade está completamente destruída e é muito difícil circular com camiões como aqueles que transportam a ajuda humanitária. Mas é verdade, que deixaram de pedir às pessoas que se reúnam num determinado local para proceder à distribuição. A verdade é que está a ser feita de forma improvisada onde reina o caos.”

euronews – Os problemas de segurança continuam. As equipas de socorro, por exemplo, têm dificuldade em fazer o seu trabalho. Ontem, mesmo uma equipa de bombeiros espanhola foi obrigada a suspender os trabalhos para recuperar uma jovem dos escombros e teve de ser protegida por tropas no local. Tiveste oportunidade de falar com estes bombeiros? Como é que se sentem?

Carbalho – “Sim, falamos com eles precisamente esta manhã. Trata-se de um grupo de bombeiros de Castela e Leão para quem este episódio foi muito traumatizante. O que aconteceu foi o seguinte: eles estavam prestes a recuperar uma jovem, que se encontrava debaixo dos escombros, seis dias após o sismo – o que por si só é já excepcional.
Nessa altura, os bombeiros foram agredidos pela população e evacuados rapidamente pelas tropas canadianas. Segundo os bombeiros, os soldados perguntaram-lhes se queriam salvar-se a eles mesmos ou à jovem soterrada. Foi então que decidiram partir. O único consolo foi dado pelos médicos com quem falaram sobre este caso e que lhes disseram: ainda que a tivessem retirado dos escombros ela não teria certamente sobrevivido.”