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Órfãos em risco de serem traficados no Haiti

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Órfãos em risco de serem traficados no Haiti

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As crianças haitianas deixadas órfãs pelo terramoto correm sérios riscos, adverte a UNICEF.

A organização está no terreno a tentar identificar as muitas crianças que deambulam à sua sorte pelas ruas caóticas de Port-au-Prince.

Num centro de acolhimento infantil, agora totalmente destruído, os meios são inexistentes.

“Eu não tenho nada nos bolsos, nem para comprar arroz branco, para ajudar as crianças a subsistir, não temos nada”, diz um das responsáveis.

Algumas crianças haitianas poderão no entanto ser entregues a familiares próximos ou em alguns casos até aos vizinhos.

“Os pais dela estão mortos, por isso sou eu que vou ficar com a rapariga”, revela uma residente.

Mas para além da falta comida e cuidados médicos há outros perigos acrescidos. O caos generalizado no país é um terreno propício aos traficantes de crianças.

“Quanto às crianças desalojadas, será muito fácil para certas pessoas localiza-las e traficá-las para um outro país, sobretudo porque já não há certificados de nascimento. Muitas crianças vão sair do país e os pais vão continuar a julgá-las mortas”, declarou Julie Bergeron, funcionária da UNICEF.

Mesmo para aqueles que são salvos e tratados, o futuro continua a ser uma grande incógnita. Uma equipa de salvamento israelita resgatou dois bebés de poucos meses e agora não sabe para onde deverá encaminhá-los.

Antes do terramoto, 48% população do Haiti tinha menos de 18 anos. Desde a tragédia que a UNICEF tem denunciado casos de violência contra crianças, sem especificar as ocorrências.