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Técnica fotográfica ajuda a estudar as estrelas

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Técnica fotográfica ajuda a estudar as estrelas

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Estes extraordinários fotogramas das estrelas da nossa galáxia, com um zoom lento, foram obtidos com instrumentos avançados, instalados no telescópio gigante, do Chile.

Mostram a Terzan 5, um conjunto de estrelas situadas na região central da Via Láctea, a 20 mil anos luz, da Terra.

Pensava-se que era um conjunto globular “comum”, um grupo de estrelas que se mantinha compacto, pela força da gravidade.

Teriam a mesma idade e a mesma composição química.

Os astrónomos descobriram agora que Terzan 5 tem uma composição e idade diferentes de outras constelações.

As mais antigas terão 12 biliões de anos e as mais recentes seis biliões.

Esta descoberta abre uma nova janela para os mecanismos de formação e evolução das galáxias. Poderá ser a primeira evidência observacional para confirmar que a região central de uma galáxia pode ter origem na fusão de sistemas pré-formados de estrelas.

Pode confirmar também a possibilidade de as grandes galáxias se fundirem com objectos menores.

Francesco Ferraro, astrónomo da Universidade de Bolonha em Itália, integra uma equipa que estudou, detelhadamente a Terzan 5.

A região onde se situa a Terzan 5 é difícil de estudar. Tem uma elevada concentração de poeira interestelar. Rla diz que a descoberta foi surpreendente:

“Esta descoberta, de uma determinada maneira, tem surpreendido porque pensávamos que a Terzan 5 era apenas um conjunto, como muitos outros. A descoberta de duas populações diferentes de esttrelas sugere que este objecto seja uma relíquia cósmica, do mesmo período da formação da galáxia e, consequentemente, de um bloco de componentes que deram forma à estrutura da galáxia, tal como a conhecemos hoje”.

Os astrónomos chegaram à descoberta, porque puderam identificar duas populações, dentro da Terzan 5. Uma brilhante, cujas estrelas são mais centrais.

Outra, com estrelas menos brilhantes.

“Esta hipótese foi verificada pelo estudo das imagens do espectro de alta resolução que permitiram que distinguissemos uma composição quimica diferente, entre as duas populações. Isto representa uma diferença grande nas respectivas idades”, diz um dos estudiosos.

Uma verdadeira jóia técnica está no âmago desta descoberta, chamada Multiconjugação Adaptável e Demonstradora do Sistema Óptico, a MAD.

É um instrumento pioneiro que permite que o telescópio gigante consiga imagens magnìficas e detalhadas, através de um sistema de infravermelhos

O sistema óptico adaptável é uma técnica com que os astrónomos podem superar a mancha que a atmosfera turbulenta da terra interpõe nas imagens astronómicas, obtidas plos telescópios, instalados na Terra.

A MAD é um protótipo de instrumentos adaptáveis de última geração.

“As observações feitas no passado com telescópios espaciais e os telescópios em terra não podiam detectar esta peculiaridade de Terzan 5. Os instrumentos da MAD foram montados no telescópio gigante, por um período de tempo limitado, para testar este tipo dos instrumentos, mas também para testar a nova geração de telescópios, com um diâmetro de 40 metros, como o ELT europeu”, explica outro cientista da Universidade de Bolonha.

O sucesso deste projecto significa que o MAD será provavelmente usado ao lado da próxima geração do telescópio gigante, o super-gigante que está, actualmente, em fase de projecto.

De acordo com os cientistas, esta pode ser a primeira de uma série de descobertas adicionais que explicarão a origem das galáxias.

Admite-se que outros sistemas similares estejam escondidos atrás da poeira cósmica. Eles podem explicar a orgem da Via Láctea.