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Gestão da tragédia no Haiti cria polémica entre os europeus

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Gestão da tragédia no Haiti cria polémica entre os europeus

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O Haiti acaba por ser o primeiro grande teste para a nova diplomacia da União Europeia. Os europeus desejam impor-se na cena internacional, mas no caso do Haiti não conseguiram, apesar de serem os principais doadores de ajuda.

Na apresentação do programa da presidência semestral, no Parlamento Europeu, o chefe do governo espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, pediu à Europa para estar à altura da situação: “Tentámos dar uma resposta à tragédia no Haiti. Estou convencido de que a resposta da comunidade internacional é forte e solidária e que a União Europeia vai estar à altura das circunstâncias”.

Os eurodeputados criticam Catherine Ashton. A nova chefe da diplomacia europeia é acusada de não ter ido ao terreno, ao contrário de outros responsáveis mundiais e europeus. Ashton afirma que a sua visita iria perturbar as equipas de socorro e serviria apenas para fazer manchetes.

Iñigo Méndez de Vigo, eurodeputado do PPE, afirma que gostaria de ter visto a bandeira europeia e a senhora Ashton à frente. E acrescenta: “Em política, o sentido de oportunidade é muito importante e, infelizmente, nós os conservadores sentimos que a senhora Ashton não o teve”.

Nesta guerra de bastidores, outros eurodeputados não poupam críticas aos dirigentes nacionais por terem avançado com propostas sobre o Haiti e terem limitado assim a acção de Ashton.

Daniel Cohn-Bendit, eurodeputado ecologista, critica a chefe da diplomacia mas recorda que o problema é outro: “Em 2006, houve uma proposta para criar uma força europeia de protecção civil. Se existisse teria permitido aos europeus deslocar-se de imediato para o Haiti. Mas o Conselho Europeu, os governos, bloquearam a proposta e é esse debate que deve ser relançado”.

A União Europeia demorou uma semana para anunciar 400 milhões de euros de ajuda. Dez dias após a tragédia, o comissário europeu do Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Karel de Gucht, está a caminho do Haiti para tentar roubar um prouco do protagonismo assumido pelos americanos.