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Haiti: Léogâne teima em sobreviver

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Haiti: Léogâne teima em sobreviver

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Em Léogâne, oito dias após a tragédia, há quem tenha começado a reconstruir casas e vida. O epicentro do sismo situou-se nesta cidade, onde a ajuda humanitária só começou a chegar ontem.

Os habitantes não esperaram para deitar mãos à obra. Mas a destruição é muita e os meios quase nenhuns.

Léogâne fica a 15 quilómetros da capital haitiana. Apesar da proximidade, a ajuda levou uma semana a chegar e o mau estado das estradas foi mais um obstáculo a vencer pelas equipas de socorro.

O enviado especial Luis Carballo conta: “A destruição é maciça, estima-se que 90% das habitações ficaram destruídas. A situação é grave, mas ainda se pode encontrar combustível. O preço é melhor e a quantidade é maior do que na capital”.

Não serve de consolação para uma população que perdeu tudo e viu os preços subirem em flecha. Mesmo assim, Léogâne luta para voltar à normalidade, mas numa vida que não poderá apagar as recordações e traumatismos causados pelo sismo.

Philippe Beaulière morava perto de uma escola e recorda: “O pior não foi ver casas destruídas. O pior é estar debaixo dos escombros. Passei a noite a tentar ajudar, a tentar salvar algumas pessoas. Conseguimos tirar três crianças vivas dos escombros. O pior é a sensação de nos sentirmos impotentes face ao grito de uma criança que pede ajuda durante horas e tu estás ali, mãos nuas, sem poder fazer nada.”

Um monte de escombros, livros, desenhos: é tudo o que resta de uma escola e de várias vidas destruídas. Mas a vida retomou o seu curso e nas ruas já se ouvem risos, por exemplo, os de bando de crianças que brincam com uma mangueira.

Os haitianos teimam em sobreviver, tentando vencer mais uma vez ao destino.