Última hora

Última hora

MSF: "precisamos urgentemente de 150 toneladas de material médico" no Haiti

Em leitura:

MSF: "precisamos urgentemente de 150 toneladas de material médico" no Haiti

Tamanho do texto Aa Aa

Euronews: Stefano Zannini, o senhor é o chefe da missão dos Médicos Sem Fronteiros (MSF) no Haiti.
A ONU e a Cruz Vermelha Internacional descreveram o sismo no Haiti como uma das piores catástrofes das últimas décadas. Que análise faz da situação tendo em conta sua experiência no terreno?

Stefano Zannini: O país, que era um dos mais pobres do mundo, perdeu as poucas infra-estruturas de que dispunha. As carências humanitárias são enormes.

E: A coordenação americana foi muito criticada. Vocês denunciaram nos últimos dias as dificuldades para que os aviões que transportavam material médico pudessem aterrar. Qual é a situação actualmente e que tipo de relações têm com as forças norte-americanas?

SZ: As dificuldades começaram há quatro ou cinco dias. Os nossos aviões foram muitas vezes desviados para a República Dominicana sem nos darem qualquer tipo de explicações. Ontem conseguimos que um avião aterrasse e pudemos repor os nossos stocks de medicamentos, mas neste momento precisamos urgentemente de, no mínimo, 150 toneladas de equipamento médico.

E: Como é que avalia os riscos de epidemia neste momento?

SZ: Os riscos de epidemia no seguimento de uma catástrofe natural deste tipo não são muito elevados. Uma epidemia poderia propagar-se a partir de cadáveres se estes já estivessem infectados com certas doenças.

E: Houve algum episódio que alimentou uma certa esperança nos últimos dias e que o marcou particularmente?

SZ: Ontem conseguimos fazer com que um bebé nascesse. Foi algo difícil porque tivemos que realizar uma intervenção cirúrgica complexa, mas no final conseguimos salvar o bebé e a mãe. Quero acreditar que é em pequenos acontecimentos como este que encontramos sinais de esperança e vestígios de um futuro melhor.