Última hora

Última hora

Combater a crise: PME europeias procuram apoio em programa financiado pela Comissão Europeia

Em leitura:

Combater a crise: PME europeias procuram apoio em programa financiado pela Comissão Europeia

Tamanho do texto Aa Aa

Pascal Cintract é um empresário francês em permanente busca de nichos de mercado. Recentemente criou uma empresa em Cambridge, no Reino Unido, dedicada à comercialização de terminais móveis com écrãs tácteis.
E em vez de pedir um empréstimo ao banco, Cintract recorreu à Rede Europeia de Empresas para procurar um parceiro que desenvolvesse e comercializasse o produto que tinha em mente: “Precisava de desenvolver aplicações para mercados específicos, neste caso para o mercado médico e encontrei em Espanha uma companhia que desenvolvia programas para esse mercado”.

O encontro foiproporcionado pela delegação de Cambridge da Rede Europeia de Empresas, que conta com 570 delegações no mundo inteiro. Criada pela Comissão Europeia em 2008, a rede fornece apoio e serviços às pequenas e médias empresas.
Em Cambridge, Hendrik Pavel ajuda os empresários da sua região a encontrar parcerias e novos mercados. Utilizando a base de dados da rede, milhares de possibilidades abrem-se aos empreendedores: “Esta base de dados é utilizada com muita frequência pelas várias delegações da rede. Ela reflecte o sítio na internet dessas delegações”.

A Rede Europeia de Empresas também organiza eventos e encontros para promover intercâmbios e contactos. Desde 2009 já foram organizados mais de 12 mil eventos, uma espécie de grupo social para empresários.

Pascal Cintract foi um dos que tirou partido do programa: “A rede proporcionou-me participar na Conferência GSM em Barcelona. Pagou a minha deslocação e permitiu-me participar numa espécie de encontro organizado em que conheci outras empresas”.

Em Barcelona, estes eventos foram organizados por Marc Gracia, membro da delegação catalã da rede europeia. Gracia já conhecia Hendrik, de Cambridge. Em 2005, Gracia passou seis meses em formação na delegação britânica: “Conhecendo os colegas facilita muito. Estamos à distância de um telefonema. É como falar com um amigo”.

Essa ligação entre ambos facilitou o contacto entre Cintract e o seu novo parceiro comercial, Frederico de Gispert. Cintract procurava um distribuidor para os seus terminais e Gispert queria vender o seu programa informático. Gispert está satisfeito com a parceria: “O produto final é um terminal médico que permite aos idosos e doentes crónicos acederem à informação enquanto comunicam com o médico”.

O terminal está a ser testado por hospitais e alguns doentes particulares, em casa, como a avó de Gispert. Mas apesar do produto estar prestes a ser comercializado, Marc, da delegação de Cambridge, continua a acompanhar o projecto.

Frederico, da delegação da rede europeia em Barcelona, também mantém contacto com Cintract, embora à distância..

Hendriks Pavel está agora à procura de novas parcerias para Cintract desenvolver o seu mercado. Desde que a Rede Europeia de Empresas foi criada, mais de dois milhões e meio de PME’s usufruíram dos seus serviços.

Peter Krost é outro exemplo. Estabeleceu-se em Kiel, uma pequena cidade alemã à beira do Báltico. Este biólogo dirige uma PME especializada no cultivo de algas e tem doze funcionários. Krost utiliza extractos de algas para fabricar produtos cosméticos: “Começámos a cultivar algas em 2000, talvez antes, em 1999. Queríamos desenvolver uma forma de aquacultura sustentada que ao mesmo tempo tivesse uma boa qualidade e fosse comercializável.”

Mas apenas recentemente a aquacultura orgânica passou a ser reconhecida. Por isso, mesmo que as algas sejam cultivadas de forma completamente natural não podem ser consideradas orgânicas. O que levou Krost a lançar-se num ambicioso projecto – criar uma certificação ecológica para produtos oriundos de aquaculturas orgânicas sustentadas: “As experiências com substâncias tóxicas que fazemos contribuem para o desenvolvimento e avaliação de sistemas de produtos oriundos da aquacultura no âmbito do nosso projecto ECOSMA”.

ECOSMA é financiado parcialmente pela Comissão Europeia. Sem o apoio da Rede Europeia de Empresas, Krost não teria conseguido financiamento. Para Krost, não foi fácil: “Não é fácil candidatar-me a um financiamento da União Europeia. É um processo complexo e há erros com frequência”.

Krost deslocou-se à rede europeia em Kiel para uma reunião com Annegret Meyer-Kock. A responsável tem dado apoio ao candidato: “Ele vai receber da Comissão Europeia 50 por cento do financiamento do projecto, quase meio milhão de euros”.

Cornelia Pankratz, da Rede Europeia Empresas no Investitionsbank Schleswig-Holstein, sublinha a importância do exemplo de Krost: “É um momento importante para krost porque candidatou-se antes e não teve sucesso, mas agora recebeu uma resposta positiva. É importante que empresas da região conheçam a sua história, pode ser um factor de motivação para outros”.

Na Polónia está Katarzyna Mecinska, da rede Europeia de Empresas na Polónia Ocidental. Os serviços que presta, são semelhantes às demais delegações, mas também dão apoio a projectos relacionados com a internet: “No âmbito do nosso programa, criámos um serviço para negócios electrónicos em que cedemos até 20 mil euros em ajudas”.

Foi graças a essa ajuda, Grzegorz Kozak contratou dois empregados e criou uma página web. Para Kozak, “este projecto é um micro-negócio baseado na informática. Criei um portal em que são os leitores que escrevem os artigos”.

Ao promover o desenvolvimento e o crescimento das PME está-se a criar emprego e inovar projectos. Projectos como a Rede Europeia de Empresas permite às PME lutar contra a crise e encontrar soluções originais.