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(In)dependência do Kosovo

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(In)dependência do Kosovo

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Passaram dois anos desde a declaração de independência de Kosovo e 10 anos desde o fim da guerra entre Belgrado e a guerrilha albano-kosovar. Será que o Kosovo é viável no plano político e económico? Esta pequena república tem vários problemas, mesmo se a situação não é explosiva.

Jean-Michel de Walle, analista de Bruxelas, explica:

“A independência não resolveu nada, os que pensavam que a independência ia resolver, por artes mágicas, os problemas do Kosovo, já devem ter dado conta que os problemas continuam a ser os mesmos. Não são mais graves, mas também não se resolveram”.

Desde 1999, o Kosovo recebeu 4 mil milhões de euros de ajuda financeira. Quando proclamou a independência, o Kosovo pretendia sobreviver com os próprios recursos (principalmente minerais), mas a pobreza, o crime e a corrupção impedem o desenvolvimento do país. Os doadores internacionais têm os seus problemas por causa da crise global e preferem que o Kosovo se torne viável por si mesmo.

40 por cento da população activa está no desemprego e 65 por cento dos jovens (em perto de dois milhões de habitantes) querem emigrar para a a Europa Ocidental.

O mesmo analista da Universidade Livre de Bruxelas acrescenta:

“Desde o princípio, sabíamos que o Kosovo constituiria um problema económico. É um país sem riquezas naturais, indústria ou agricultura de relevo, portanto é um país pobre, sem estrutura e riqueza, o coloca um problema com que já contávamos.

Estes problemas aumentam por faltar uma administração competente, pela falta de política pública e de uma elite política, económica e social, capaz de lançar um verdadeiro projecto de política pública neste país”.

Além da dependência económica, o Kosovo também é dependente em termos de segurança.

10 mil capacetes azuis da KFOR e dois mil polícias da União Europeia assumem a luta contra o crime organizado e asseguram a redução das tensões entre a maioria albanesa e a minoria sérvia.

Esta minoria não reconhece as instituições kosovares e conta com o apoio incondicional de Belgrado.

A evolução da situação do Kosovo depende da decisão do Tribunal Internacional de Justiça sobre a legalidade da provlamação da independência das autoridades kosovares.

O analista belga questiona:

“Será que o reconhecimento internacional é legítimo ou não, a nível do direito internacional? Enquanto não tivernmos essa resposta, vai ser difícil avançar. Acho que, para a Sérvia, e para um governo democrático e pró-europeu, é algo absolutamente inaceitável.”

Se a decisão do tribunal internacional de Justiça for favorável a Pristina, as autoridades sérvias e kosovares talvez iniciem conversações e o Kosovo construa um futuro mais risonho, pollítica e economicamente. E o processo de reconhecimento diplomático pode então prosseguir.