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Crise político-militar na Turquia

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Crise político-militar na Turquia

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O exército turco é o segundo maior na NATO, a seguir ao americano, é a instituição mais popular da Turquia, que garante a república laica, fundada por Ataturk, há 86 anos.

O general Yasar Buyukanit, uma semana antes deste desfile militar de 30 de Agosto de 2007, faltou à tomada de posse de Abdullah Gul,
Mais um exemplo de que os militares turcos têm sempre uma opinião crítica em relação à política.

Três golpes de Estado depois de 1960 cimentaram este poder. No mais recente, em 1980, redigiram a actual constituição. O motivo oficial do golpe foi instaurar a democracia, como justificou o general Kenan Evren

“Estamos aqui para reconstruir e melhorar a democracia, que não está a funcionar”.

Quando os islamitas moderados do AKP chegaram ao poder, depois de décadas de governo laico, começou o braço de ferro com os militares. A “gota de água” foi o uso do véu islâmico pelas mulheres do presidente e do primeiro-ministro, proibido na via pública e nas istituições do Estado.

Foi uma das razões que impulsionaram os militares a tentar impedir a eleição de Abdullah Gul como presidente da Turquia.

Em 2008, os militares vão apoiar tacitamente a tentativa do procurador-geral de para banir o AKP.
Mas o Tribunal Constitucional decide noutro sentido, com um voto de diferença: seis em 11 juízes votaram a interdição.

Mas o governo do AKP respondeu aos ataques. Em 2004 reformou o Conselho de Segurança Nacional, um orgão misto, onde os militares tinham o habito de impôr a opinião aos civis, tornando-o simplesmente consultivo.

Mas o que mais afectou o prestígio do exército turco, foi o caso Ergenekon, uma alegada tentativa de golpe de Estado. Foram interpelados 200 estudantes universitários, jornalistas e militares, no âmbito de um processo judicial muito controverso. Nenhuma condenação foi pronunciada.

Em Janeiro passado, o chefe de Estado Maior, Ilker Basbug, denunciou uma campanha de desacreditação contra o exército e afirmou que o tempo dos golpes de Estado passou:

O general, que tem sido o fiel da balança em todas as contendas, mostrou-se muito impaciente:

“Pergunto-vos como é que um exército que vai para a guerra a gritar por Alá pode colocar bombas nas mesquitas. É mesmo injusto. Amaldiçoo-vos.