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Sentimento comunitário decide futuro do país

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Sentimento comunitário decide futuro do país

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Três anos após a execução de Saddam Hussein as tensões intercomunitárias ainda são palpáveis no Iraque.

Em Aoudja, localidade natal do ditador, os habitantes sunitas preparam-se para a primeira participação eleitoral. No sufrágio precedente o boicote foi generalizado devido às ameaças de morte e à descrença na democracia imposta.

Munaf Ali Al Nada, chefe de tribo sunita:
“- Em 2005 ninguém participou no sufrágio porque ninguém acreditava no processo eleitoral? Qual é a lógica de votar em listas fechadas? Qual é a lógica de votar num número?”

Um exemplo da tensão reinante: esta manifestação contra a decisão do governo, de maioria xiita, de rejeitar as candidaturas de muitas personalidades sunitas acusadas de ligações ao antigo partido Baas de Saddam Hussein a um mês do escrutínio.

Ahmed Al-Jasir, chefe de tribo sunita:
“- Compete aos chefes tribais reabilitarem o país depois da ocupação. Por isso devem apelar ao povo das suas áreas para participarem nesta eleição, de forma a concretizarem uma parte das suas ambições.”

O país está dividido em três grandes grupos étnicos e religiosos. Os xiitas são maioritários, quase dois terços da população, seguidos dos sunitas e dos curdos. O voto é marcado pelo sentimento comunitário como se pode constatar neste mapa com os resultados do último escrutínio.

A minoria curda foi a principal beneficiada do boicote sunita pois os seus representantes fazem parte do governo dominado pela maioria xiita.

Mohammed Kiani, líder de partido curdo:
“- Os curdos vão ter um papel vital na construção do próximo executivo. Temos as nossas condições que vamos impor qualquer que seja o parceiro de coligação nas conversações para encontrar o próximo governo.”

Entre as muitas condições, há uma que é inegociável: o controlo sobre os recursos petrolíferos do norte do país.