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Yanukovicth: "Independência do Kosovo não resolveu problemas"

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Yanukovicth: "Independência do Kosovo não resolveu problemas"

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Viktor Yanukovitch venceu as eleições presidenciais de Fevereiro, na Ucrânia, por uma escassa margem. Dias depois de tomar posse como chefe de Estado, concedeu uma entrevista à EuroNews por ocasião da deslocação a Bruxelas onde se reuniu com os líderes europeus.

EN – O senhor é visto como um político pró-russo quando comparado com os seus adversários. Porque é que escolheu Bruxelas, em vez de Moscovo, para a sua primeira deslocação oficial.

VY – Bem, basicamente, porque eu tive dois convites. Um para o dia 1 de Março, outro para o dia 5. O que pretendo é seguir uma política equilibrada que corresponda aos interesses da Ucrânia. E eu quero que, tanto a Europa quanto a Rússia, tenham a Ucrânia como um parceiro fiável.

EN – O que vai mudar nas relações com a Europa, relativamente à política do seu antecessor, Viktor Yushenko, que pretendia a adesão da Ucrânia à União Europeia e à NATO?

VY – Penso que, decididamente, vamos passar das palavras à acção. E esta vai ser a principal mudança que vou implementar. A nossa relação deve ser mais bem definida. Penso que o objectivo da integração europeia deve passar, antes do mais, pela concretização de reformas na Ucrânia. E eu vou iniciar essas reformas. Tudo o que fizermos, os nossos próximos passos, têm de contribuir para este objectivo.

EN – Então, se me permite, o senhor mantêm ou rejeita o objectivo de aderir à União Europeia e à NATO?

VY – Nós vamos, definitivamente, prosseguir o nosso processo de integração europeia. Quanto à adesão da Ucrânia à NATO, este assunto não está actualmente na nossa agenda e é difícil de dizer quando vai estar. O estado da nossa sociedade é tal que a excessiva politização desta questão apenas contribui para a instabilidade política que divide a sociedade. O meu objectivo é unir o povo ucraniano, fazer da Ucrânia um território estável e um parceiro fiável e previsível.

EN – Mas parece-me que os seus eleitores esperam de si a restauração dos laços com a Rússia e não uma aproximação ao Ocidente. Como é que vai gerir esta situação?

VY – Penso que agora é tempo de resolver as deficiências que temos tido na nossa relação com a Rússia. E a forma como vejo as relações entre a Ucrânia e a Rússia, no futuro, é a de um relacionamento entre países amigos, uma parceria de boa vizinhança que sirva os interesses dos povos ucraniano e russo. Eu diria que os nossos povos gostariam de restabelecer os laços tradicionais e esperam isso das políticas dos chefes de Estado ucraniano e russo.

EN – E quais vão ser exactamente os seus passos para melhorar essas relações? Por exemplo, a Ucrânia vai reconhecer as independências da Ossétia do Sul e Abcásia?

VY – Eu disse, em devido tempo, que nos opomos a política dos critérios duplos, de que é exemplo a Sérvia, com o reconhecimento de Montenegro. Eu acho que o reconhecimento da independência do Kosovo não resolveu os problemas que existem nas áreas de conflitos latentes. Até se agravaram. E o exemplo mais evidente é o da Ossétia norte [SIC]. Por isso, o meu ponto de vista é que devemos relevar, mais uma vez e o mais cedo possível, que as regras internacionais devem funcionar sempre, não devem ter excepções.

EN – O que significa isso, que o senhor está pronto para reconhecer a Ossétia do Sul e a Abcásia?

VY – No momento, essa questão não está na agenda. Estamos perante um precedente que podia ter sido evitado. Não obstante, aconteceu.

EN – Está à espera de algum sinal da Rússia, antes de clarificar a sua posição?

VY – Eu penso que estas questões serão discutidas, num futuro próximo, durante a minha visita a Rússia.

EN – A Ucrânia está interessada em juntar-se à união aduaneira, que está a ser constituída agora pela Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão?

VY – Sim, mas nós não conhecemos ainda as regras. Não compreendemos ainda que papel podíamos desempenhar. Em segundo lugar, a Ucrânia é, hoje em dia, membro da Organização Mundial de Comércio e, se tal aliança é possível, tem de respeitar as regras da OMC. E esta questão, naturalmente, exige uma reflexão profunda. Nós temos que pesar e compreender os nossos benefícios e os benefícios dos nossos parceiros, numa tal união, e como compatibilizá-la, com a Organização Mundial de Comércio. Acredito que, se conversarmos – no futuro, nós gostaríamos muito de ver os nossos parceiros, Rússia, Cazaquistão, e Bielorrússia tornarem-se membros da OMC – se conversarmos, então ficaremos mais próximos do objectivo de que falámos.

EN – E falando de um dos conflitos nas relações entre a Ucrânia e a Rússia – os preços de gás e as tarifas do trânsito: o senhor espera ter negociações mais fáceis com Moscovo, do que teve seu antecessor?

VY – Estou certo que esta questão estará na agenda, durante minha visita a Moscovo, e teremos uma resposta. Naturalmente, este problema é agora muito importante para a Ucrânia, porque nós acreditamos que, hoje, os preços do gás, para a Ucrânia, são injustos. E nós não queremos construir um relacionamento com os nossos parceiros, com a Rússia, em tais condições, desfavoráveis para Ucrânia.

EN – Que preço considera justo?

VY – Eu penso que é uma questão para negociar, com todas as implicações que estamos empenhados em resolver com a Rússia, como se costuma dizer, dentro do mesmo pacote.