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Eleições no Iraque: um referendo aos direitos das mulheres

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Eleições no Iraque: um referendo aos direitos das mulheres

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O tema dos direitos das mulheres volta a dominar as eleições no Iraque. Sob pressão norte-americana, a Constituição do país atribui os mesmos direitos aos dois sexos.

Mil e oitocentas candidatas femininas apresentam-se ao sufrágio e 82 deverão ocupar um lugar no Parlamento.

Uma situação que é fruto antes de mais de uma obrigação, a de respeitar a quota de 25% de candidatas e deputadas mulheres prevista na lei fundamental.

O tema dos direitos cívicos é considerado um ponto essencial no processo de normalização política do país.

Ao contrário do que se passou nas eleições de 2005, a maioria das candidatas optou este ano por dar a cara, nas ruas e nos cartazes de campanha.

Mas queixam-se ainda de serem utilizadas pelos partidos apenas para cumprir a quota obrigatória. São raros os casos em que ocupam o lugar de cabeça de lista.

Salama Al-Khafaji, candidata da Aliança Nacional Iraquiana e muçulmana convicta, não esconde no entanto, as reservas sobre os progressos nesta área.

“A visão da política é ainda muito masculina e os partidos preferem seleccionar homens para os cargos mais importantes, são sempre os homens que acabam por ser nomeados para as pastas ministeriais”.

A grande novidade este ano é a presença de um grande número de candidatas sem véu islâmico, sobretudo nas listas laicas, como a arquitecta sunita Mayson al-Damlouji, que não hesita em envergar roupas ocidentais.

“Os políticos que até hoje se opunham à quota e aos direitos das mulheres, chegaram finalmente à conclusão de que o tema é importante e de que as mulheres têm o seu lugar no processo político”.

Divididas pela religião mas unidas em prol dos direitos das mulheres, as candidatas defendem o combate à desigualdade entre sexos.

As candidatas laicas sublinham o problema das mulheres divorciadas, viúvas ou solteiras, frequentemente discriminadas por razões religiosas.