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Diplomacia europeia no Médio Oriente

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Diplomacia europeia no Médio Oriente

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Com as relações a esfriarem entre Israel e os Estados Unidos, alguns especialistas consideram que esta é uma boa oportunidade para a União Europeia avançar na mediação. A visita da chefe da diplomacia europeia à região não é, por enquanto, sinónimo de uma nova dinâmica no processo de paz.

Há anos que a Europa tenta desempenhar um papel mais importante no Médio Oriente sem o conseguir. Se por um lado tem tido falta de visibilidade na região, por outro, não é a nomeação de um serviço diplomático europeu que vai mudar realmente a situação:

A analista Shada Islam explica:

“A força política esta à vista mas devo dizer que a União Europeia não a usou na realidade, com eficácia.
Se falar a uma só voz no Médio Oriente, o progresso será efectivo, passa a haver um grande desenvolvimento na região e na União Europeia em termos globais…mas os americanos vão continuar a ser a força dominante, e não acho que isso mude com a vinda de Catherine Ashton ou qualquer outra pessoa”.

A União Europeia é visível em virtude do dinheiro que doa. Por isso há vozes críticas que exigem uma participação mais activa na região.

A UE está atrás dos Estados Unidos nas exportações (38.4% os americanos e 33% os europeus) ainda está longe no que se refere a importações (13.9% para os americanos 40% para os europeus) mas a União Europeia é a principal doadora para os palestinianos, com 500 milhões de euros em média por ano entre contribuições comunitárias e dos Estados Membros.

A União Europeia tem os meios para se desempenhar um papel estratégico e político de primeiro plano. Mas há uma diferença abismal entre a importância económica da Europa e o seu peso político no Médio Oriente. Israel e a Autoridade palestiniana privilegiam as relações bilaterais, o que é um problema com os 27.

Shada :
“Todos sabemos que todos os países do mundo têm políticas estrangeiras próprias e têm prioridades nacionais. E há também sensibilidades nacionais quanto ao delicado tema Médio Oriente. Não vejo propriamente a Alemanha, o Reino Unido, a França ou a Holanda abandonarem as prioridades nacionais a favor da União Europeia. O que a União pode fazer é conjugar diferentes posições e trabalhar como uma só entidade, uma voz única na região. Mas é provavelmente um processo longo e difícil.”

Se é difícil Israel entender-se com os Estados Unidos, ainda é mais difícil entender-se com 27 Estados do Velho continente, mesmo que unidos pela bandeira e pelo desejo de paz.