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Dívidas e desemprego asfixiam espanhóis

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Dívidas e desemprego asfixiam espanhóis

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A integração na zona euro permitiu à Espanha, projectar a sua economia. O país apostou tudo no turismo e no imobiliário.
 
Mas hoje, com cerca de 20 por cento de desemprego e a explosão da bolha imobiliária acabou o milagre económico espanhol.
 
Principais vítimas desta crise são os espanhóis, que fazem parte dos cidadãos mais endividados da Europa.
 
Em qualquer mercado madrileno, é cada vez mais difícil encher o cabaz das compras. O preço do célebre presunto serrano ou do tomate duplicaram, desde a chegada do euro.
 
“Isto mudou. As pessoas, com a chegada do euro, fazem mais parcimónia, foi um golpe, consomem muito menos”, diz um comerciante.
 
Uma cliente dá-lhe razão:
 
“Tudo está mais caro. A água, a electricidade, o telefone, os transportes, tudo”.
  
Foi no sector do imobiliário que o euro desempenhou um papel importante. Os bancos espanhóis aproveitaram a nova moeda, para oferecer créditos muito sedutores.
 
Muitos espanhóis, como Beatriz, aceitaram. Mas com a crise, Beatriz que ganha apenas 300 euros por mês, num emprego precário, ficou numa situação delicada. Quase não sai de casa:
  
“É verdade que o meu apartamento é muito bom, grande, mas é difícil pagar o empréstimo, com o que ganho”
 
O professor de economia, Rafael Pampillon, diz que o problema é de fácil equação: 
 
“Os espanhóis endividaram-se muito, nestes últimos anos, para comprar casas, carros, viajar, fazer turismo. E essa dívida, logicamente, precisa de ser paga”.
  
É justamente para poder pagar o empréstimo que Beatriz se viu obrigada a voltar para casa dos pais:
  
“Enquanto eu não encontrar um emprego estável, com um salário decente que me permita pagar o empréstimo, não posso ser independente”.
 
Beatriz não é a única a ter de apertar o cinto. Com um défice recorde de 11.4 por cento do PIB, o Estado espanhol vai aplicar um severo programa de austeridade, a partir do mês de Julho.