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"Jogo da Morte" e o poder das imagens no comportamento

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"Jogo da Morte" e o poder das imagens no comportamento

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Ensaio sobre o comportamento humano. Um canal de televisão francês emite esta quarta-feira o documentário “Jogo da Morte”.

Na base do trabalho está um teste científico, que pretende provar o poder da televisão.

A película mostra um concurso de questões falso, o Zone Xtrême, onde os candidatos acreditam fazer descargas eléctricas sobre uma vítima, ao vivo.

Segundo o realizador, registaram-se vários choques eléctricos. 81 por cento dos participantes obedeceram às propostas da falsa apresentadora em estúdio.

“É a questão do poder que importa aqui, mais até do que a pessoa que está sozinha, numa cabina, sem sofrer, sem ninguém a dizer-lhe: cuidado, atenção ao que estás a fazer, viste o que ele te fez? Estás por tua conta, e quando assim é, confrontado com um poder que usa a autoridade, torna-se muito fácil a manipulação. E por isso as pessoas tornam-se obedientes”, revela Christophe Nick.

O realizador do documentário diz que participaram cerca de 69 pessoas, acreditando tratar-se de um programa piloto.

Ainda assim, apenas 19 por cento ordenou a paragem das descargas, antes de atingir o nível máximo, 420 volts.

O estudo foi conduzido com o apoio de psicólogos.

“Nunca acreditei no poder da televisão – influência talvez – e insisto que não é um poder real. Por isso fiquei muito surpreso. Nunca esperei que a vontade de magoar atraísse as pessoas”, acrescenta Jean-Léon Beavois, psicólogo social.

Crueldade é a palavra de ordem deste jogo, que não poupa manifestações de violência numa tentativa de impressionar o público.

Uma experiência, de resto, abordada por Stanley Milgram, psicólogo na Universidade de Yale, em 1960.

O poder das imagens é um assunto pouco consensual.

O realizador Stanley Kubrik, também falou nesta questão, em 1971, na película “Laranja Mecânica”.