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Atum vermelho divide comunidade internacional

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Atum vermelho divide comunidade internacional

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O futuro do atum vermelho discute-se esta quinta-feira em Doha, a capital do Qatar, onde decorre a CITES, Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres.

Representantes de cerca de 150 países analisam a aprovação, ou não, da proposta do Mónaco, para proibir a pesca desta espécie do Atlântico Oriental e do Mediterrâneo, que está ameaçada.

Em Espanha, um dos principais pescadores de atum em conjunto com França e Itália, a proposta é vista com algum nervosismo.

Na região da Andaluzia, os pescadores falam na possibilidade de se perder uma tradição centenárial.

“Um desastre completo. Há 36 anos que faço isto. Tenho 52 e dedico-me a isto desde criança. Nem consigo pensar. Vamos lutar para manter o que temos porque não há mais nada. Para onde é que vamos?”, perguntou Joaquin Pachego, responsável por um barco de pesca.

Agustin Rivera, também pescador, acrescenta: “A verdade é que há muita incerteza entre os meus colegas, porque o nosso futuro vai ser decidido em Doha. Esperamos que eles parem com as frotas industriais e deixem os pescadores tradicionais continuarem porque fomos nós quem menos prejudicou a espécie”.

O Japão consome aproximadamente 80 por cento da pesca mundial da espécie.

O atum é normalmente usado no sushi e sashimi.

A Turquia, um país pesqueiro, também trabalha contra esta proposta, bem como a China.

Até o momento, o Mónaco conta com o apoio de Estados Unidos, Noruega, Suíça, Colômbia, Costa Rica, Equador e Sérvia. Mas, segundo fontes europeias, Canadá, Austrália e Brasil vão-se abster.

Segundo dados da CITES, as reservas de atum vermelho, no Mediterrâneo e Atlântico, caíram em 80 por cento em quatro décadas.

O atum vermelho é a maior das várias espécies de atum e alguns exemplares, já raros, podem atingir os quatro metros e cerca de 700 quilos.