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Rússia/EUA:START...mas não para já

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Rússia/EUA:START...mas não para já

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Em Julho passado, depois de meses de negociações e de reuniões preparatórias entre russos e americanos, os dois presidentes assinaram um acordo preliminar, em Moscovo, para a redução dos dois maiores arsenais nucleares do mundo, uma prioridade defendida pelo presidente Obama no início do mandato.

O objectivo é conceber um sucessor do Tratado de Desarmamento soviético-americano START, assinado em 1991, por George Bush e Michail Gorbachov, que expirou em Dezembro passado. Esse tratado deu origem a importantes reduções de arsenais depois da guerra fria.

Nessa altura, as duas superpotências possuiam mais de 10 mil cabeças nucelares, número que continuou a baixar ao longo dos anos e que chegou aos 2200 do lado americano e 2800 do lado russo. O objectivo é que o número máximo de ambos seja 1675 daqui a sete anos.

Mas o acordo estagna em vários obstáculos, como a questão do escudo anti-míssil americano na Europa de Leste. Moscovo não concorda e exige que seja integrado no acordo de armas defensivas e ofensivas, o que Washington rejeita. No fim do ano, parecia estar delineado um acordo mas as negociações bloquearam subitamente. Para o primeiro-ministro russo, Vladimir Putine, a razão é simples:

“Sabemos que os nossos pareceiros americanos desenvolvem um sistema de defesa anti-míssil e nós não o estamos a construir.”

Em Julho de 2009, Obama fez uma concessão e abandonou o projecto tal como ele era, susbstituindo-o por um menos ambicioso na Roménia e na Bulgária. Foi insuficiente para Moscovo, que não tolera essa ingerência na sua zona de influência assim como o próprio atraso no programa de defesa.

Se o braço de ferro se eterniza, podem não advir grandes mudanças, em termos de segurança, ao mundo, mas decerto o estado de graça de Obama fica abalado. Em Setembro passado, numa sessão histórica na sede da ONU em Nova Iorque, Obama apresentou o projecto.

Antes da conferência do Tratado de Não Proliferação Nuclear, prevista para Maio, espera-se que as duas potências dêem o exemplo.

Há que convencer os países membros do Tratado, a azul no gráfico, a continuarem a reduzir o arsenal e a manterem uma posição de força perante os países que não aderiram ao Tratado.

Washington tem bastantes ambições quanto ao assunto mas a Rússia não tem pressa, daí a posição de força nas negociações. E adiantou que não vai ratificar o Tratado se os Estados Unidos não cederem sobre o escudo anti-míssil.