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Bósnios consideram insuficiente pedido de perdão sérvio

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Bósnios consideram insuficiente pedido de perdão sérvio

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Em Julho de 1995, oito mil homens e rapazes foram massacrados pelos paramilitares sérvios perto de Srebrenica.
O general sérvio da Bósnia, Ratko Mladic, é acusado pela justiça internacional de estar por trás do massacre.

Para muitos muçulmanos da Bósnia, o pedido de perdão, sem que se reconheça que houve um genocídio, não chega.

Pilav trabalha hoje como cirurgião em Sarajevo. É um dos sobreviventes do massacre de Srebrenica.

Na memória guarda a longa marcha de seis horas para chegar a Tuzla, um enclave muçulmano protegido pela ONU.

“Como não contém a palavra genocídio, penso que a resolução não cumpre o propósito que devia ter. É mais um insulto as vítimas, tantas para as que estão vivas como para as que morreram”, afirma o médico sérvio.

Os familiares das vítimas querem que a Sérvia siga o gesto do Parlamento Europeu, que em 2009 classificou o massacre como “genocídio”.

Cada Hotic perdeu o marido e o filho em Srebrenica. É um dos membros activos do grupo “As mães de Srebrenica”. Hotic tem uma visão menos radical.

“Tudo o que posso dizer é que foi bom eles terem falado sobre o assunto. Há muitos anos que esperávamos que a Sérvia admitisse a sua parte de responsabilidade”.

Em 2007, o Tribunal Internacional de Justiça considerou que a Sérvia não teve uma responsabilidade directa no massacre mas sublinhou que o país não fez o suficiente para evitar a tragédia.

Apesar de não mencionar a palavra “genocídio”, a resolução desagrada aos sérvios da Bósnia.

“É muito cedo para adoptar uma resolução deste tipo. Além disso, não é bom que haja uma separação entre as vítimas sérvias e as vítimas muçulmanas”, considera Pipovic Milomir.

O massacre de Srebrenica é o mais grave cometido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. É o único episódio do conflito na Bósnia que foi classificado como genocídio pelo Tribunal Penal Internacional e pelo Tribunal Internacional de Justiça.