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Bento XVI e João Paulo II

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Bento XVI e João Paulo II

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Há cinco anos o mundo católico estava de luto. João Paulo II, o Papa do terceiro mais longo pontificado da história, morria e com ele toda uma época, hoje apelidada “Geração João Paulo II”. Karol Józef Wojtyła era adorado pelos fiéis e fica na história como um dos líderes mais influentes do século XX.

A eleição do sucessor, Bento XVI, fez cerrar os dentes da ala progressista do Vaticano e dividiu fieis. Cinco anos mais tarde, com o escândalo dos abusos sexuais a menores, a igreja católica mergulha numa crise sem precedentes que pode prejudicar a imagem do actual sumo pontífice e, eventualmente, de João Paulo II.

“Estes escândalos podem prejudicar as reputações dos dois papas”, diz uma fiel. “Não acho, talvez afecte Ratzinger mas não João Paulo II”, afirma outra.

Durante inúmeros anos, João Paulo II foi o superior de Ratzinger. Se um sabia, imagina-se que o outro também tinha conhecimento. Mas o facto é que João Paulo II será julgado pela história, à luz da incrível popularidade, do carisma e o do papel no mundo.

Papa da reaproximação de religiões, da reconciliação, contribui para a queda do comunismo. Foi um Papa político que deu à Santa Sé uma visibilidade internacional de primeira ordem.

E esse não é o estilo de Bento XVI, para quem a diplomacia é secundária. Ele é, em primeiro lugar, um teólogo intransigente. Mesmo se, no fundo, as convicções são idênticas. É o próprio João Paulo II que o nomeia chefe da Congregação da Doutrina da Fé.

As convicções sobre todos os grandes temas da sociedade – aborto, homossexualidade e contracepção – são as mesmas durante anos.

Mas mais uma vez, um é perdoado, o outro não. Isso deve-se em parte à postura. Bento XVI é considerado muito rigoroso, autoritário e por vezes desajeitado, como quando afirmou que o preservativo agrava a SIDA em vez de a conter.

26 anos de um lado, 5 do outro. A época não é a mesma e as personalidades também não. Difícil de comparar os dois pontificados, uma coisa parece clara: Bento XVI pagará mais caro os erros do passado da Igreja do que o predecessor.