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África do Sul: violência entre negros e brancos

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África do Sul: violência entre negros e brancos

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O assassinato do líder sul-africano da extrema direita, Eugene Terre’blanche, desencadeou um misto de emoções por todo o país. A polícia deteve dois indivíduos negros após relatos de que teria sido assassiando por uma questão de salários em atraso.

Mas o partido de Terre’blanche, o Movimento Afrikaner de Resistência – um pequeno partido marginal mas muito ruidoso-, afirma que este é o mais recente sinal da onda de violência crescente contra os brancos.

A África do Sul conheceu recentemente uma experiência de ataques contra fazendeiros brancos e proprietários de terras que tem aumentado os receios da minoria dos activistas brancos.

“Pensamos que é mais do que tempo que os assassinatos de fazendeiros acabem, assim como outros crimes na África do Sul… pensamos que há muita polarisação na África do Sul neste momento e as declarações do senhor Malema não contribuem para melhorar as coisas”, afirma Alana Bailey do AfriForum.

Julius Malema é o homem apontado por muitos como o instigador de crimes contra os brancos, através da reedição de uma antiga canção do tempo do apartheid com o refrão “Kill the Boer -“Mata o Boer”.

Para o líder da juventude do ANC é apenas uma forma de lembrar a história da repressão no país e o lider sindical Patrick Craven defende que não foi a canção que criou os problemas de intolerância racial.

“Nós rejeitamos o argumento simplista de que isto esteja de alguma forma ligado com as canções do ANC. Não há provas, por enquanto, de uma qualquer ligação e não devíamos conduzir o debate nesse sentido, mas tratá-lo directamente como um caso de crime”.

O presidente Jacob Zuma apelou à calma no dia a seguir ao crime. Mas a violência entre negros e brancos está longe de ser uma prioridade do governo.

Com um descontentamento generalizado, Zuma tem-se empenhado a tentar confortar a sua popularidade junto dos afrikaners brancos e pobres, promovendo os planos para a reforma económica e social do país.

Mas a África do Sul tem atraído dezenas de milhares de pessoas do Zimbabwe e de países vizinhos, por causa da relativa estabilidade económica. O ressentimento contra os estrangeiros é crescente e a luta pela partilha dos recursos está tornar-se na grande batalha da população negra.