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Didier Billion: "É difícil encontrar um tema sobre o qual franceses e turcos poderiam avançar juntos"

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Didier Billion: "É difícil encontrar um tema sobre o qual franceses e turcos poderiam avançar juntos"

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Didier Billion é investigador no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, em Paris. É especialista no Médio Oriente, em particular, a Turquia. Numa entrevista à euronews analisou as relações entre a França e a Turquia.

euronews: É a primeira vez que o primeiro-ministro turco está em visita oficial em França, desde o início das negociações de adesão à União. Será que esta visita pode fazer avançar o dossiê ou Nicolas Sarkozy vai continuar a defender a sua posição?

Didier Billion: Temo, infelizmente, que, sobre este e outros dossiês, Nicolas Sarkozy não modifique nenhuma das suas posições. Reiterou-o por várias vezes e compreendo que para ele é um jogo de política interna. Ele opõe-se à adesão da Turquia na União Europeia e não vejo como é que o primeiro-ministro turco o poderia convencer de que se trata de uma posição errada.

euronews: Mas pensa que abordaram a questão no encontro?

D. Billion: Claro. Desde que o primeiro-ministro turco chegou a França não parou de dizer que Nicolas Sarkozy é convidado a visitar a Turquia para conhecer, directamente, as evoluções da sociedade turca. É uma crítica implícita a Nicolas Sarkozy que não se preocupou em realizar uma visita oficial à Turquia. Isso é um convite discreto do primeiro-ministro turco. Se este encontro pudesse resolver isso já seria bom.

euronews: Adesão turca, endurecimento das sanções contra o Irão, Arménia. Parecem existir apenas desacordos entre os dois países. Há temas sobre os quais existe uma posição comum?

D. Billion: Em relação à Arménia, devemos precisar que Nicolas Sarkozy felicitou os arménios e os turcos no momento em que assinaram os protocolos de acordo no passado mês de Outubro. Infelizmente, os protocolos de reaproximação entre os dois países não foram ratificados pelos parlamentos arménio e turco. Há um ligeiro atraso, infelizmente. Mas sobre esta questão há uma convergência oficial.

Sobre outros dossiês… o projecto da União para o Mediterrâneo, perdoe-me a expressão, tem areia na engrenagem. Desde os raides israelitas em Gaza, há dificuldades em fazer avançar o projecto, em concretizá-lo.

Sobre a Síria… Sabemos que a Turquia e a França desempenharam, cada uma à sua maneira, um papel importante na reintegração da Síria na cena internacional. Mas, infelizmente, há mais concorrência entre a Turquia e a França do que complementaridade na reaproximação com a Síria. Efectivamente, é difícil encontrar um tema comum sobre o qual, franceses e turcos, poderiam avançar juntos e de forma complementar.